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Título : Terras quilombolas : dilemas da governança fundiária e titulação coletiva
Autor : Muniz, Izadora Nogueira dos Santos
Orientador(es):: Rodrigues, Guilherme Scotti
Coorientador(es):: Correia, Atalá
Assunto:: Quilombos
Comunidades quilombolas
Governança fundiária
História fundiária
Comunidade negra
Fecha de publicación : 27-ene-2026
Citación : MUNIZ, Izadora Nogueira dos Santos. Terras quilombolas : dilemas da governança fundiária e titulação coletiva. 2025. 335 f., il. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumen : A tese analisa criticamente a regularização fundiária de territórios quilombolas no Brasil, com ênfase nos dilemas da governança fundiária e no modelo de titulação coletiva adotado como padrão pela política pública. Parte-se do reconhecimento de que a desigualdade no acesso à terra constitui herança histórica da escravidão e da ausência de políticas inclusivas no pósabolição, consolidando um padrão de exclusão que atravessa séculos e que permanece visível na dificuldade de efetivar o direito constitucional quilombola previsto no art. 68 do ADCT. O problema central consiste em compreender como a estrutura histórica e contemporânea da governança fundiária compromete a efetivação da titulação coletiva, marcada por entraves jurídicos, institucionais, federativos, orçamentários e registrais. A hipótese sustentada é que os dilemas estruturais da governança fundiária nacional - como concentração da propriedade, existência de terras ociosas, insegurança registral, indefinição de terras devolutas, custos elevados de transação e conflitos recorrentes - condicionam diretamente a implementação do direito quilombola à terra. Nesse contexto, a imposição estatal de um modelo único de propriedade coletiva, ainda que concebido como mecanismo protetivo, revela-se insuficiente para lidar com a diversidade dos arranjos fundiários e pode, em determinadas situações, induzir práticas informais e ilícitas de transações privadas. A pesquisa tem como objetivo geral analisar criticamente os fundamentos e desdobramentos da política de titulação quilombola à luz dos problemas estruturais da governança fundiária, buscando compreender como tais entraves impactam a efetividade do art. 68 do ADCT e moldam os limites do modelo coletivo. Para isso, desenvolvem-se cinco objetivos específicos: historicizar a trajetória jurídico-fundiária brasileira e a exclusão da população negra (Cap. 1); problematizar o modelo jurídico da propriedade coletiva quilombola, em diálogo com experiências latino-americanas, a jurisprudência internacional e a ADI n° 3.239/DF (Cap. 2); examinar a mobilização da máquina pública, com atenção à repartição federativa, ao orçamento e à desintrusão (Cap. 3); construir uma periodização crítico-historiográfica da governança fundiária no Brasil (Cap. 4); e apresentar recomendações práticas para enfrentar os gargalos da titulação quilombola (Capítulo de Recomendações). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e crítico-analítica. A investigação articula análise documental e normativa - incluindo a ADI n° 3.239/DF e processos judiciais em instâncias ordinárias -, análise institucional e orçamentária, com base em relatórios do INCRA, FCP, IPHAN, IBGE, TCU, dados do SIOP e da Agenda Transversal de Igualdade Racial, além de entrevistas e consultas a agentes públicos. O referencial teórico combina contribuições de Garrett Hardin, Elinor Ostrom, Clóvis Moura, Flávio Gomes, Ruy Cirne Lima, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Paolo Grossi, entre outros, articulando fundamentos constitucionais do direito quilombola com a crítica às práticas estatais. A originalidade da tese reside em articular, de forma integrada, dimensões históricas, normativas, judiciais, federativas e orçamentárias, compreendendo a morosidade da regularização quilombola como sintoma de uma governança fundiária débil e seletiva. Ao problematizar o modelo coletivo sem negá-lo, o trabalho propõe caminhos institucionais mais adequados à diversidade dos territórios, contribuindo para o debate sobre justiça territorial, pluralidade de regimes de propriedade e os limites das respostas estatais à dívida histórica com os povos quilombolas.
Abstract: This thesis critically analyzes the land regularization of quilombola territories in Brazil, emphasizing the dilemmas of land governance and the collective titling model adopted as the standard in public policy. It recognizes that inequality in access to land is a historical legacy of slavery and the absence of inclusive policies in the post-abolition period, consolidating a pattern of exclusion that spans centuries and remains evident in the difficulty of enforcing the quilombola constitutional right established in Article 68 of the ADCT. The central problem is to understand how the historical and contemporary structures of land governance compromises the implementation of collective titling, which is hindered by legal, institutional, federal, budgetary, and land-registry obstacles. The hypothesis is that the structural dilemmas of national land governance -such as property concentration, the persistence of idle lands, insecure land registries, the lack of definition of vacant lands, high transaction costs, and recurring conflicts - directly condition the implementation of quilombola land rights. In this context, the state's imposition of a single model of collective property, even conceived as a protective mechanism, proves insufficient to address the diversity of land tenure arrangements and may, in certain situations, encourage informal or illicit private transactions. The general objective of the research is to critically analyze the foundations and developments of quilombola titling policy in light of the structural problems of land governance, seeking to understand how such obstacles affect the effectiveness of art. 68 of the ADCT and shape the limits of the collective model. To this end, five specific objectives are pursued: to historicize the Brazilian land-legal trajectory and the exclusion of the Black population (Chapter 1); to problematize the legal model of quilombola collective property, in dialogue with Latin American experiences, international jurisprudence, and ADI No. 3.239/DF (Chapter 2); to examine the mobilization of the public sector, with attention to federal distribution, the budget, and evictions (Chapter 3); to construct a critical-historiographical periodization of land governance in Brazil (Chapter 4); and present practical recommendations to address the bottlenecks of quilombola titling (Recommendations Chapter). Methodologically, this is a qualitative, exploratory, and criticalanalytical study. The investigation combines documentary and normative analysis - including ADI No. 3.239/DF and lower court proceedings - with institutional and budgetary analysis, based on reports from INCRA, FCP, IPHAN, IBGE, TCU, data from SIOP and the Transversal Agenda for Racial Equality, as well as interviews and consultations with public officials. The theoretical framework draws on contributions from Garrett Hardin, Elinor Ostrom, Clóvis Moura, Flávio Gomes, Ruy Cirne Lima, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Paolo Grossi, among others, articulating the constitutional foundations of quilombola law with a critique of state practices. The originality of this thesis lies in its integrated articulation of historical, normative, judicial, federal, and budgetary dimensions, interpreting the slow pace of quilombola regularization as a symptom of weak and selective land governance. By problematizing the collective model without rejecting it, the work proposes institutional paths more appropriate to the diversity of territories, contributing to the debate on territorial justice, the plurality of property regimes, and the limits of state responses to the historical debt owed to quilombola peoples.
Resumen: Esta tesis analiza críticamente la regularización de tierras en los territorios quilombolas de Brasil, con énfasis en los dilemas de la gobernanza territorial y en el modelo de titulación colectiva adoptado como estándar por las políticas públicas. Parte del reconocimiento de que la desigualdad en el acceso a la tierra constituye un legado histórico de la esclavitud y de la ausencia de políticas inclusivas en el período posterior a la abolición, lo que consolidó un patrón de exclusión que se prolonga durante siglos y se manifiesta en la dificultad de hacer efectivo el derecho constitucional quilombola previsto en el artículo 68 del ADCT. El problema central consiste en comprender cómo la estructura histórica y contemporánea de la gobernanza territorial compromete la implementación de la titulación colectiva, marcada por obstáculos legales, institucionales, federativos, presupuestarios y catastrales. La hipótesis sostiene que los dilemas estructurales de la gobernanza territorial nacional - como la concentración de la propiedad, la existencia de tierras ociosas, la inseguridad catastral, la falta de definición de las tierras baldías, los altos costos de transacción y los conflictos recorrentes - condicionan directamente la realización de los derechos territoriales quilombolas. En este contexto, la imposición estatal de un modelo único de propiedad colectiva - aunque concebido como un mecanismo de protección - resulta insuficiente para abarcar la diversidad de los arreglos de tenencia de la tierra y puede, en determinadas situaciones, derivar en prácticas de transacciones privadas informales e ilícitas. El objetivo general de la investigación es analizar críticamente los fundamentos y desarrollos de la política de titulación quilombola a la luz de los problemas estructurales de la gobernanza de la tierra, buscando comprender cómo dichos obstáculos inciden en la efectividad del art. 68 del ADCT y configuran los límites del modelo colectivo. Para tal fin, se desarrollan cinco objetivos específicos: historizar la trayectoria jurídica de la tierra brasileña y la exclusión de la población negra (Cap. 1); problematizar el modelo jurídico de la propiedad colectiva quilombola, en diálogo con las experiencias latinoamericanas, la jurisprudencia internacional y la ADI Nº 3.239/DF (Cap. 2); examinar la movilización del sector público, con atención a la distribución federativa, el presupuesto y el proceso de desintrusión (Cap. 3); construir una periodización crítico-historiográfica de la gobernanza de la tierra en Brasil (Cap. 4); y presentar recomendaciones prácticas para superar los obstáculos y desafíos de la titulación quilombola (Capítulo de Recomendaciones). Metodológicamente, se trata de un estudio cualitativo, exploratorio y de carácter crítico-analítico. La investigación combina el análisis documental y normativo - que incluye la ADI Nº 3.239/DF y los procedimientos de los tribunales ordinários - con un análisis institucional y presupuestario basado en informes del INCRA, la FCP, el IPHAN, el IBGE y el TCU, así como en datos del SIOP y en la Agenda Transversal para la Igualdad Racial. Además, se incorporan entrevistas y consultas con funcionarios públicos. El marco teórico integra las contribuciones de Garrett Hardin, Elinor Ostrom, Clóvis Moura, Flávio Gomes, Ruy Cirne Lima, Ariovaldo Umbelino de Oliveira y Paolo Grossi, entre otros, articulando los fundamentos constitucionales del derecho quilombola con una crítica a las prácticas estatales. La originalidad de esta tesis radica en su articulación integrada de las dimensiones histórica, normativa, judicial, federativa y presupuestaria, entendiendo la demora en la regularización quilombola como un síntoma de una gobernanza territorial débil y selectiva. Al problematizar el modelo colectivo sin negarlo, el trabajo propone vías institucionales más adecuadas a la diversidad de los territorios, contribuyendo al debate sobre la justicia territorial, la pluralidad de regímenes de propiedad y los límites de las respuestas estatales frente a la deuda histórica contraída con los pueblos quilombolas.
metadata.dc.description.unidade: Faculdade de Direito (FD)
Descripción : Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2025.
metadata.dc.description.ppg: Programa de Pós-Graduação em Direito
Licença:: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Aparece en las colecciones: Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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