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Título: A mãe como sujeito ausente de direitos : maternidade, cuidado e discurso público na Política Nacional de Cuidados
Autor(es): Magalhães, Nayara Teixeira
Orientador(es): Silva, Janaína Lima Penalva da
Assunto: Maternidade
Políticas públicas
Feminismo
Sujeito de direito
Data de publicação: 13-Out-2026
Referência: MAGALHÃES, Nayara Teixeira. A mãe como sujeito ausente de direitos: maternidade, cuidado e discurso público na Política Nacional de Cuidados. 2026. 150 f. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: A presente tese, intitulada “A mãe como sujeito ausente de direitos: maternidade, cuidado e discurso público na Política Nacional de Cuidados", investiga o lugar estratégico da maternidade na reprodução social sob o capitalismo neoliberal e como essa centralidade é enunciada ou obscurecida nas formulações estatais brasileiras contemporâneas. O problema central da pesquisa reside na baixa inteligibilidade jurídicopolítica das mães como sujeitos de direitos, que frequentemente permanecem invisibilizadas ou instrumentalizadas em prol da proteção de terceiros, como crianças e famílias, no registro da responsabilidade privada e moralizada. Para analisar esse fenômeno, o trabalho mobiliza uma perspectiva crítico-feminista fundamentada na teoria da reprodução social, no feminismo matricêntrico e na crítica interseccional e decolonial, articulando categorias como matrescência e dispositivo materno. Metodologicamente, a investigação adota uma abordagem qualitativa de natureza sociojurídica, realizando uma análise crítica do discurso de 28 documentos federais, entre leis, decretos, planos e cartilhas publicados entre 2023 e 2026, vinculados à agenda nacional de cuidados. Os resultados demonstram que, embora a institucionalização da Política Nacional de Cuidados represente um avanço ao publicizar o cuidado como direito, a mãe surge nos documentos de forma ausente-presente: ela é nomeada em ações operacionais e relacionais (como gestante, nutriz ou cuidadora), mas sua experiência corporal e subjetiva permanece fragmentada e secularizada diante da forte centralidade conferida à infância e à filiação. A análise revela silenciamentos significativos em relação à saúde mental materna e aos direitos reprodutivos, sugerindo que o Estado ainda a reconhece mais por sua funcionalidade no cuidado de outros do que como sujeito autônomo. A tese conclui pela necessidade de reconhecer a matrescência como um campo próprio de direitos e propõe parâmetros para uma agenda transversal de atenção às mães que considere suas necessidades específicas e pluralidades de raça, classe e território.
Abstract: This thesis, entitled "The Mother as an Absent Subject of Rights: Motherhood, Care, and Public Discourse in the National Care Policy", investigates the strategic place of motherhood in social reproduction under neoliberal capitalism and how this centrality is enunciated or obscured in contemporary Brazilian state formulations. The central research problem lies in ascertaining whether mothers have low legal-political intelligibility as subjects of rights within the National Care Policy, or whether they are rendered invisible or instrumentalized in favor of protecting third parties, such as children and families. To analyze this phenomenon, the work mobilizes a critical-feminist perspective grounded in social reproduction theory, matricentric feminism, and intersectional and decolonial critique, articulating categories such as matrescence and the maternal dispositif. Methodologically, the investigation adopts a qualitative, socio-legal approach, conducting a critical content analysis based on 28 federal documents — including laws, decrees, plans, and informational booklets published between 2023 and 2026 — tied to the national care agenda. The results demonstrate that, although the institutionalization of the National Care Policy represents an advance in bringing care into the public domain as a right, the mother appears in the documents in an absent-present manner: she is named in operational and relational actions (as a pregnant woman, nursing mother, or caregiver), but her bodily and subjective experience remains fragmented and rendered secondary in light of the strong centrality conferred on childhood and filiation. The analysis reveals significant silences regarding maternal mental health and reproductive rights, suggesting that the State still recognizes her more for her functionality in caring for others than as an autonomous subject. The thesis concludes by affirming the need to recognize matrescence as a field of rights in its own right and proposes parameters for a cross-cutting agenda of attention to mothers that takes into account their specific needs and the pluralities of race, class, and territory.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Direito (FD)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Direito
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
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