| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Shimizu, Helena Eri | - |
| dc.contributor.author | Ramos, Maíra Catharina | - |
| dc.date.accessioned | 2026-10-13T16:51:39Z | - |
| dc.date.available | 2026-10-13T16:51:39Z | - |
| dc.date.issued | 2026-10-13 | - |
| dc.date.submitted | 2026-07-02 | - |
| dc.identifier.citation | RAMOS, Maíra Catharina. Algoritmos de machine learning para a predição da persistência farmacológica na esquizofrenia: uma estratégia para garantir a continuidade do tratamento no SUS. 2026. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/57218 | - |
| dc.description.abstract | Introdução: A esquizofrenia é uma condição crônica grave que afeta aproximadamente
1% da população mundial, demandando tratamento contínuo e multidisciplinar, no qual
os antipsicóticos de segunda geração (ASG) desempenham papel fundamental no
controle de sintomas e prevenção de recaídas. No contexto do Sistema Único de Saúde
(SUS), a descontinuação do tratamento representa um desafio crítico, associada a
maiores taxas de recaídas, reinternações e custos elevados. Embora os termos adesão
e persistência sejam frequentemente confundidos, este estudo foca na persistência,
definida como a duração contínua do uso do medicamento sem interrupções
significativas ao longo do tempo. A aplicação de Inteligência Artificial (IA) em saúde
pública surge como uma estratégia promissora para identificar padrões complexos em
grandes volumes de dados (Big Data) e apoiar a tomada de decisão clínica. Neste
contexto, definiu-se como pergunta de pesquisa “como a inteligência artificial pode
apoiar no tratamento farmacológico de pessoas com esquizofrenia?”. Objetivos: O
objetivo geral foi identificar evidências sobre usos da inteligência artificial para apoiar no
tratamento farmacológico de esquizofrenia e desenvolver e validar modelos de
algoritmos de machine learning para a predição da persistência farmacológica na
esquizofrenia visando contribuir para políticas de saúde digital na saúde mental do
sistema único de saúde. Método: Foram realizadas duas etapas, a saber: (i) revisão
sistemática, e; (ii) estudo transversal e retrospectivo, de caráter exploratório e
quantitativo, baseado em dados de mundo real (RWD). Para a revisão sistemática, foi
realizada busca em seis bases de dados (incluindo MedLine, Embase e Scopus). Foram
incluídos estudos clínicos e observacionais que avaliam o impacto de ferramentas de IA
na adesão farmacológica de pacientes com esquizofrenia, excluindo modelos animais,
protocolos sem resultados, intervenções puramente digitais sem IA ou focadas
exclusivamente em tratamentos não farmacológicos. A qualidade metodológica dos
estudos selecionados foi avaliada pelos instrumentos RoB 2, ROBINS-I e PROBAST-AI.
Para o estudo transversal retrospectivo com RWD, foi utilizada amostra composta por
30.000 observações aleatórias selecionadas de uma coorte nacional construída a partir
do relacionamento (linkage) dos bancos de dados administrativos do SUS: Sistema de
Informações Ambulatoriais (SIA), Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e Sistema
de Informações sobre Mortalidade (SIM), abrangendo o período de 2000 a 2015. O pré processamento dos dados incluiu técnicas de One-Hot Encoding para variáveis
categóricas e padronização (StandardScaler) para variáveis numéricas. Para capturar o
efeito das desigualdades socioeconômicas, foi integrado o Índice de Gini como variável
contextual. Foram treinados e avaliados sete algoritmos supervisionados de
classificação: Logistic Regression, Decision Tree, Random Forest, Gradient Boosting,
Extreme Gradient Boosting (XGBoost), Support Vector Machine (SVM) e K-Nearest
Neighbors (KNN). A performance foi avaliada utilizando métricas de acurácia, precisão,
recall, F1-score e, principalmente, a Área Sob a Curva ROC (AUC ROC), aplicando
técnicas de validação holdout (70:30) e validação cruzada estratificada (10-fold cross validation). Resultados: A revisão sistemática incluiu oito estudos na síntese qualitativa.
As ferramentas de IA foram classificadas em: (i) Monitoramento Visual: Aplicativos
(AiCure e MedAdhere) elevaram a adesão em até 61% e melhoraram funções
cognitivas; (ii) Modelos Preditivos: Algoritmos (REFS™ e XGBoost) demonstraram
acurácia entre 0,59 e 0,82 na previsão de riscos de interrupção do tratamento; (iii)
Mineração de Texto: O sistema MENTAT® identificou fatores sociais e clínicos de
descontinuação em notas médicas não estruturadas; (iv) Suporte à Decisão Prescritiva:
Regras de tratamento individualizadas aumentaram em 134% a probabilidade de
sucesso clínico ao personalizar a escolha do antipsicótico inicial. A análise descritiva do
banco de dados revelou uma amostra majoritariamente feminina (51%) e com idade
média de 45,5 anos. Observou-se um declínio acentuado na continuidade terapêutica: a
continuidade terapêutica caiu de 84,9% em três meses para 58,4% em nove meses,
resultando em uma taxa de persistência de apenas 46,6% ao final de 12 meses e 26,6%
após 24 meses. Entre os modelos testados, o Gradient Boosting alcançou a maior
acurácia (74,18%) e o melhor AUC ROC em validação cruzada (0,8214). A precisão de
87% para a classe “Não persistente ao tratamento” garante predições com ótima
confiabilidade, reduzindo chances de falsos negativos. A análise de importância das
variáveis destacou como principais preditores: o tipo de antipsicótico utilizado (sendo
Risperidona, Olanzapina e Quetiapina os mais frequentes), o histórico de internações
psiquiátricas, a faixa etária do paciente, o tempo de uso prévio do medicamento e o
Índice de Gini do município de residência. Discussão: A revisão sistemática realizada
identificou que ferramentas de IA, como aplicativos de monitoramento e modelos
preditivos (com acurácia de até 97%), elevam significativamente a adesão na
esquizofrenia, melhorando sintomas psicóticos e funções cognitivas. Embora reduzam
recaídas e hospitalizações, a implementação esbarra em barreiras de infraestrutura e
literacia digital. Quando aplicado modelo preditivo com dados brasileiros, os achados
confirmam uma clara hierarquia de desempenho, com os três modelos de ensemble
(Gradient Boosting, XGBoost e Random Forest) superando os demais algoritmos. O
Gradient Boosting alcançou a maior acurácia (74,18%) e o melhor AUC ROC em
validação cruzada (0,8214). A inclusão do Índice de Gini revelou-se um diferencial
metodológico crucial, evidenciando que pacientes residentes em municípios com
melhores indicadores de desenvolvimento humano tendem a apresentar maior
persistência ao tratamento, corroborando a influência dos determinantes sociais nos
desfechos de saúde mental. Discute-se também a qualidade dos dados dos Sistemas de
Informação em Saúde, apontando limitações como a incompletude de variáveis (ex:
raça/cor e IMC), o que exige cautela na interpretação e reforça a necessidade de
melhoria na coleta de dados no SUS. A alta taxa de descontinuação observada (53,4%
em um ano) alerta para a vulnerabilidade dessa população e a necessidade de
intervenções proativas. Considerações finais: Esta tese demonstra que é viável e
eficaz utilizar técnicas de Machine Learning aplicadas aos dados do SUS para prever a
persistência ao tratamento em esquizofrenia. As evidências científicas identificadas
demonstram que a IA oferece soluções inovadoras, com impactos positivos em
desfechos clínicos e funcionais. O modelo de RWD proposto oferece uma ferramenta
potencial para gestores e profissionais de saúde identificarem precocemente pacientes
com alto risco de abandono terapêutico, permitindo a implementação de intervenções
personalizadas. No entanto, a implementação em larga escala enfrenta desafios como
infraestrutura digital limitada, preocupações éticas sobre privacidade e a necessidade de
validação externa em coortes mais robustas. Recomenda-se o fomento de estudos que
validem externamente esses modelos e a integração de sistemas de apoio à decisão
clínica no SUS, sempre pautados por diretrizes éticas que visem reduzir iniquidades e
garantir o uso responsável da tecnologia em saúde. | pt_BR |
| dc.description.sponsorship | Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | Algoritmos de machine learning para a predição da persistência farmacológica na esquizofrenia : uma estratégia para garantir a continuidade do tratamento no SUS | pt_BR |
| dc.type | Tese | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Inteligência artificial | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Aprendizado de máquina | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Esquizofrenia | pt_BR |
| dc.contributor.advisorco | Zimmermann, Ivan Ricardo | - |
| dc.description.abstract1 | Introduction: Schizophrenia is a severe chronic condition that affects approximately 1%
of the world's population, requiring continuous and multidisciplinary treatment, in which
second-generation antipsychotics play a fundamental role in controlling symptoms and
preventing relapses. In the context of the Unified Health System, treatment
discontinuation represents a critical challenge, associated with higher rates of relapses,
readmissions, and high costs. Although the terms adherence and persistence are often
confused, this study focuses on persistence, defined as the continuous duration of
medication use without significant interruptions over time. The application of Artificial
Intelligence in public health emerges as a promising strategy to identify complex patterns
in large volumes of data and support clinical decision-making. In this context, the
research question was defined as “how can artificial intelligence support the
pharmacological treatment of people with schizophrenia?”. Objective: The general
objective was to identify how Artificial Intelligence can support the pharmacological
treatment of schizophrenia, developing and validating machine learning models for
predicting persistence to treatment with second-generation antipsychotics, using real world data from the Unified Health System and integrating socioeconomic indicators to
substantiate precision strategies in public mental health policies in Brazil. Method: Two
stages were carried out: (i) a systematic review, and; (ii) a cross-sectional and
retrospective study of an exploratory and quantitative nature, based on real-world data.
For the systematic review, a search was performed in six databases. Clinical and
observational studies evaluating the impact of AI tools on pharmacological adherence in
patients with schizophrenia were included, excluding animal models, protocols without
results, purely digital interventions without AI, or focused exclusively on non pharmacological treatments. The methodological quality of the selected studies was
evaluated using the RoB 2, ROBINS-I, and PROBAST-AI instruments. For the cross sectional retrospective study with RWD, a sample composed of 30,000 random
observations selected from a national cohort built from the linkage of SUS administrative
databases: Outpatient Information System, Hospital Information System, and Mortality
Information System, covering the period from 2000 to 2015. Data preprocessing included
One-Hot Encoding techniques for categorical variables and standardization for numerical
variables. To capture the effect of socioeconomic inequalities, the Gini Index was
integrated as a contextual variable. Seven supervised classification algorithms were
trained and evaluated: Logistic Regression, Decision Tree, Random Forest, Gradient
Boosting, Extreme Gradient Boosting, Support Vector Machine, and K-Nearest
Neighbors. Performance was evaluated using metrics of accuracy, precision, recall, F1-
score, and, primarily, the Area Under the ROC Curve, applying holdout validation and
stratified cross-validation techniques. Results: The systematic review included eight
studies in qualitative synthesis. AI tools were classified into: Visual Monitoring:
Applications increased adherence by up to 61% and improved cognitive functions;
Predictive Models: Algorithms (REFS™ and XGBoost) demonstrated accuracy between
0.59 and 0.82 in predicting risks of treatment discontinuation; Text Mining: The
MENTAT® system identified social and clinical factors of discontinuation in unstructured
medical notes; Prescriptive Decision Support: Individualized treatment rules increased
the probability of clinical success by 134% by personalizing the choice of the initial
antipsychotic. The descriptive analysis of the database revealed a predominantly female
sample with a mean age of 45.5 years. A sharp decline in therapeutic continuity was
observed: therapeutic continuity fell from 84.9% at three months to 58.4% at nine
months, resulting in a persistence rate of only 46.6% at the end of 12 months and 26.6%
after 24 months. Among the tested models, Gradient Boosting achieved the highest
accuracy and the best AUC ROC in cross-validation. The 87% precision for the "Not
persistent to treatment" class ensures predictions with great reliability, reducing chances
of false negatives. The variable importance analysis highlighted as main predictors: the
type of antipsychotic used, the history of psychiatric hospitalizations, the patient's age
group, the prior duration of medication use, and the Gini Index of the municipality of
residence. Discussion: The systematic review identified that AI tools, such as monitoring
applications and predictive models, significantly increase adherence in schizophrenia,
improving psychotic symptoms and cognitive functions. Although they reduce relapses
and hospitalization, implementation faces barriers related to infrastructure and digital
literacy. When the predictive model was applied to Brazilian data, the findings confirmed
a clear performance hierarchy, with the three ensemble models outperforming the other
algorithms. Gradient Boosting achieved the highest accuracy and the best AUC ROC in
cross-validation. The inclusion of the Gini Index proved to be a crucial methodological
differentiator, evidencing that patients residing in municipalities with better human
development indicators tend to show greater persistence to treatment, corroborating the
influence of social determinants on mental health outcomes. The quality of data from the
Health Information Systems is also discussed, pointing out limitations such as incomplete
variables, which require caution in interpretation and reinforce the need for improvement
in data collection within the Unified Health System. The high discontinuation rate
observed highlights the vulnerability of this population and the need for proactive
interventions. Final Considerations: This thesis demonstrates that it is feasible and
effective to use Machine Learning techniques applied to SUS data to predict persistence
to treatment in schizophrenia. The identified scientific evidence demonstrates that AI
offers innovative solutions with positive impacts on clinical and functional outcomes. The
proposed RWD model offers a potential tool for managers and health professionals to
identify patients at high risk of therapeutic abandonment early, allowing the
implementation of personalized interventions. However, large-scale implementation faces
challenges such as limited digital infrastructure, ethical concerns regarding privacy, and
the need for external validation in more robust cohorts. It is recommended to promote
studies that externally validate these models and the integration of clinical decision
support systems in the SUS, always guided by ethical guidelines that aim to reduce
inequities and ensure the responsible use of technology in health. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Faculdade de Ciências da Saúde (FS) | pt_BR |
| dc.description.unidade | Departamento de Saúde Coletiva (FS DSC) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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