| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Zackseski, Cristina Maria | - |
| dc.contributor.author | Melo, Manuela Azevedo Pedreira | - |
| dc.date.accessioned | 2026-10-01T20:50:27Z | - |
| dc.date.available | 2026-10-01T20:50:27Z | - |
| dc.date.issued | 2026-10-01 | - |
| dc.date.submitted | 2024-01-31 | - |
| dc.identifier.citation | MELO, Manuela Azevedo Pedreira. A vítima no banco dos réus : mulheres criminalizadas por reportar estupro ao sistema de justiça. 2024. 198 f., il. Dissertação (Mestrado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/57088 | - |
| dc.description | Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2024. | pt_BR |
| dc.description.abstract | Há um regime de suspeição direcionado às vítimas de violência sexual, que faz com que elas
sejam frequentemente retratadas como mentirosas, vingativas e maliciosas com base em
estereótipos de gênero e mitos discriminatórios. Algumas delas são culpabilizadas pela
violência que sofreram, o que, no âmbito do processo penal, se levado ao extremo, pode
convertê-las de vítimas em rés. Nesse contexto, esta dissertação teve como objetivo analisar e
compreender como acontece a criminalização de mulheres que reportam estupro ao sistema de
justiça criminal pelo crime de denunciação caluniosa (art. 339 do Código Penal). Para tanto,
conduzi uma análise de conteúdo qualitativa de 62 sentenças proferidas no estado de São Paulo,
em ações penais de denunciação caluniosa, nas quais as rés foram acusadas de mentir ao
denunciar estupro. A análise se ancora em perspectivas epistemológicas que exploram os
possíveis diálogos e interseções entre a criminologia crítica e os feminismos negros e
decoloniais. Entre os resultados, destaca-se a relação entre os envolvidos nos estupros relatados:
a maioria das ocorrências se deu no contexto de violência doméstica e familiar, especialmente
entre parceiros íntimos. Nesse sentido, discuto as aproximações e distanciamentos entre o
direito penal sexual e a Lei Maria da Penha, na legislação, no processo penal e nas pesquisas
acadêmicas, evidenciando as consequências prejudiciais dessa fragmentação. Além disso, cabe
destacar que, em quase todos os casos, o processamento por denunciação caluniosa ocorreu a
partir de uma “retratação”: isto é, a mulher manifestou o desejo de impedir o início ou o
prosseguimento da persecução penal contra o acusado, ou declarou que mentiu em seu relato
anterior. Essa “retratação” foi considerada confissão, e em um movimento quase automatizado,
o sistema as converteu de vítimas em rés, considerando seu depoimento como a principal ou
única prova de autoria e materialidade da denunciação caluniosa. Esses e outros elementos
compõem outro padrão constatado: a violação sistemática dos direitos e garantias fundamentais,
juntamente à predominância de uma defesa precária e dativa. Diante da análise dos casos
selecionados, pude concluir que, embora não seja possível determinar, por meio da leitura dos
documentos, quem mentiu e quem disse a verdade, é razoável inferir que algumas das
denunciantes foram, de fato, vítimas de estupro. As demais, apesar de terem mentido, estavam
em posição de vulnerabilidade social e foram processadas em violação flagrante de suas
mínimas garantias processuais. Considero como hipótese, a ser confirmada por estudos
posteriores, que este é um crime frequentemente acionado contra mulheres que denunciam
violência de gênero, constituindo-se como instrumento de retaliação, intimidação e
silenciamento. Argumento que as situações sob análise vão além dos conceitos de
“revitimização” ou “vitimização secundária”: em vez disso, representam violência de gênero
perpetrada pelo Estado, por ação e omissão, grave o suficiente para ser considerada violência
primária, e não secundária. Por fim, enfatizo a necessidade de mais pesquisas sobre o tema,
ressaltando a importância de trazer o debate para o centro das discussões sobre violência contra
as mulheres, para garantir que seus direitos, como vítimas ou como rés, sejam adequadamente
respeitados. | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | A vítima no banco dos réus : mulheres criminalizadas por reportar estupro ao sistema de justiça | pt_BR |
| dc.type | Dissertação | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Denunciação caluniosa | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Estupro | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Feminismo | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Violência de gênero | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Processo penal | pt_BR |
| dc.rights.license | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. | pt_BR |
| dc.description.abstract1 | There is a regime of suspicion directed at victims of sexual violence, who are often portrayed
as liars, vindictive, and malicious, based on gender stereotypes and discriminatory myths. Some
of them are blamed for the violence they suffered, which, if taken to extremes, can transform
them from victims to defendants. In this context, the objective of this dissertation was to analyze
and understand the ways in which women who report rape to the criminal justice system
eventually face criminal prosecution due to denunciação caluniosa (art. 339 of the Penal Code).
To this end, I conducted a qualitative content analysis of 62 judgments issued by the Court of
Justice of the State of São Paulo. The analysis was approached from epistemological
perspectives that explore the potential dialogues and intersections between critical criminology
and black and decolonial feminisms. One of the most notable findings is the relationship
between those involved in the reported rapes: the vast majority occurred in the context of
domestic and family violence, particularly between intimate partners. I discuss the similarities
and distinctions between sexual criminal law and the Maria da Penha Law in legislation,
criminal prosecution, and research, along with the harmful consequences of this fragmentation.
It was also apparent that in nearly all judgments, the prosecution for Denunciação caluniosa
involved “retractions” of prior allegations: the women in question either expressed their desire
to avoid or halt criminal proceedings against the accused or declared she had lied in her previous
report. These “retractions” were interpreted as confessions, and almost instantly the system
shifted their status from victims to defendants, considering their testimony as the primary or
sole evidence of their criminal conduct. Another pattern identified was the systematic violation
of multiple fundamental rights and criminal procedure guarantees, combined with the
prevalence of precarious and pro bono legal representation. I conclude that, although it is not
possible to determine, through reading the documents, who lied and who told the truth, it is
reasonable to infer that some of them were indeed victims of rape. The others, despite having
lied, found themselves in a position of social vulnerability and faced prosecution in disregard
of their fundamental constitutional rights. In this context, I argue that the criminalization of
victims of rape or domestic violence due to false accusations is detrimental to all parties
involved: the justice system, the survivors, and the individuals wrongfully accused. I then
present a hypothesis that needs further investigation: that women who report gender-based
violence are frequently accused of this crime, which constitutes an instrument of retaliation,
intimidation, and silencing. Furthermore, I contend that the situations under analysis transcend
the concepts of “revictimization” or “secondary victimization”; instead, they represent severe
gender violence perpetrated by the state, both through its actions and omissions, that is
substantial enough to be considered primary rather than secondary. In conclusion, I emphasize
the need for additional research on this subject. Afterward, the importance of bringing this issue
to the forefront of discussions about violence against women is highlighted to ensure that their
rights, whether as survivors or accused, are properly respected. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Faculdade de Direito (FD) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Direito | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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