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Título: Avaliação comparativa entre sacubitril-valsartana e inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina em doses máximas equivalentes em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida : evidências do mundo real
Autor(es): Barros, Renato de Carvalho
Orientador(es): Carvalho, Luiz Sérgio Fernandes de
Assunto: Insuficiência cardíaca
Estudos observacionais
Sacubitril-valsartana
Data de publicação: 22-Set-2026
Referência: BARROS, Renato de Carvalho. Avaliação comparativa entre sacubitril-valsartana e inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina em doses máximas equivalentes em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: evidências do mundo real. 2026. 126 f. Tese (Doutorado em Ciências Médicas) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Introdução: Os inibidores do receptor da angiotensina e da neprilisina (ARNI) representam um avanço relevante no tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), sustentados por evidências consistentes de redução de mortalidade e hospitalizações em ensaios clínicos randomizados. Embora o sacubitril-valsartana tenha demonstrado superioridade em ensaios clínicos randomizados em relação aos inibidores da enzima conversora de angiotensina e aos bloqueadores do receptor da angiotensina, persistem incertezas quanto à sua efetividade em condições de mundo real, particularmente quando comparado a terapias convencionais em doses-alvo recomendadas pelas diretrizes clínicas. Objetivo: Comparar os desfechos clínicos de pacientes com ICFER tratados com sacubitril-valsartana, enalapril ou losartana em doses-alvo máximas recomendadas pelas diretrizes clínicas, no contexto do SUS do Distrito Federal. Métodos: Estudo de coorte retrospectiva, baseado na coorte observacional BEAT-HF (Brasilia Evaluation and Tracking of Heart Failure), que acompanhou pacientes com insuficiência cardíaca atendidos em seis hospitais públicos do Distrito Federal entre agosto de 2010 e setembro de 2024. Foram incluídos pacientes adultos com fração de ejeção ≤40% em uso contínuo de sacubitril-valsartana 97/103 mg duas vezes ao dia, enalapril 20 mg duas vezes ao dia ou losartana 100 mg ao dia. O desfecho primário foi a ocorrência combinada de hospitalização por qualquer causa ou óbito. Os desfechos secundários incluíram hospitalização por insuficiência cardíaca, mortalidade por todas as causas, eventos cardiovasculares maiores (3-point MACE) e progressão da classe funcional da New York Heart Association (NYHA). As diferenças basais entre os grupos foram tratadas por meio de escore de propensão com pareamento. A seleção das covariáveis utilizadas no escore foi orientada por regressão LASSO, considerando variáveis demográficas, clínicas, laboratoriais e terapêuticas. O efeito médio do tratamento nos tratados (Average Treatment Effect on the Treated - ATET) foi estimado por regressão logística ponderada. Análises de sensibilidade incluíram pacientes em uso de doses submáximas das terapias avaliadas. Resultados: A análise principal incluiu 254 pacientes com ICFER, com seguimento mediano de 23,9 meses. Após o pareamento por escore de propensão, o uso de sacubitril-valsartana não se associou a redução estatisticamente significativa do desfecho primário de hospitalização ou óbito em comparação ao enalapril ou à losartana (ATET: OR 0,65; IC95% 0,35-1,20; p=0,165). Resultados semelhantes foram observados para hospitalização por insuficiência cardíaca (OR 0,79; IC95% 0,37-1,70; p=0,546), mortalidade por todas as causas (OR 0,81; IC95% 0,36-1,80; p=0,602) e eventos cardiovasculares maiores (3-point MACE: OR 0,82; IC95% 0,37-1,86; p=0,642). Em contraste, o sacubitril-valsartana associou-se de forma significativa à melhora da classe funcional NYHA (OR 3,90; IC95% 1,75-8,73; p=0,001). Esses achados foram consistentes nas análises de sensibilidade. Conclusão: Em uma coorte de mundo real de pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida atendidos no SUS do Distrito Federal, o tratamento com sacubitril-valsartana, quando comparado ao enalapril ou à losartana em doses-alvo máximas, não se associou a redução adicional de hospitalizações ou mortalidade. Observou-se, entretanto, melhora significativa do estado funcional. Os resultados sugerem que, na presença de titulação plena das terapias modificadoras de prognóstico, o benefício incremental do sacubitril-valsartana sobre desfechos clínicos duros pode ser mais limitado do que o descrito em ensaios clínicos randomizados.
Abstract: Introduction: Angiotensin receptor–neprilysin inhibitors (ARNIs) represent a major advance in the treatment of heart failure with reduced ejection fraction (HFrEF), supported by consistent evidence of reduced mortality and hospitalizations in randomized clinical trials. Although sacubitril–valsartan demonstrated superiority over angiotensin-converting enzyme inhibitors and angiotensin receptor blockers in randomized clinical trials, uncertainties remain regarding its effectiveness under real-world conditions, particularly when compared with conventional therapies administered at guideline-recommended target doses. Objective: To compare clinical outcomes in patients with HFrEF treated with sacubitril–valsartan, enalapril, or losartan at guideline-recommended maximum target doses within the Brazilian Unified Health System (SUS) in the Federal District. Methods: This retrospective cohort study was based on the BEAT-HF (Brasilia Evaluation and Tracking of Heart Failure) observational cohort, which followed patients with heart failure treated at six public hospitals in the Federal District between August 2010 and September 2024. Adult patients with left ventricular ejection fraction ≤40% receiving continuous treatment with sacubitril–valsartan 97/103 mg twice daily, enalapril 20 mg twice daily, or losartan 100 mg once daily were included. The primary outcome was the composite of all cause hospitalization or death. Secondary outcomes included heart failure hospitalization, all-cause mortality, major adverse cardiovascular events (3-point MACE), and New York Heart Association (NYHA) functional class progression. Baseline differences between treatment groups were addressed using propensity score matching. Covariate selection for the propensity score was guided by LASSO regression, considering demographic, clinical, laboratory, and therapeutic variables. The average treatment effect on the treated (ATET) was estimated using weighted logistic regression. Sensitivity analyses included patients receiving submaximal doses of the therapies evaluated. Results: The primary analysis included 254 patients with HFrEF, with a median follow-up of 23.9 months. After propensity score matching, treatment with sacubitril–valsartan was not associated with a statistically significant reduction in the primary composite outcome of hospitalization or death compared with enalapril or losartan (ATET: OR 0.65; 95% CI 0.35–1.20; p=0.165). Similar results were observed for heart failure hospitalization (OR 0.79; 95% CI 0.37–1.70; p=0.546), all-cause mortality (OR 0.81; 95% CI 0.36–1.80; p=0.602), and major adverse cardiovascular events (3- point MACE: OR 0.82; 95% CI 0.37–1.86; p=0.642). In contrast, sacubitril– valsartan was significantly associated with improvement in NYHA functional class (OR 3.90; 95% CI 1.75–8.73; p=0.001). These findings were consistent across sensitivity analyses. Conclusion: In a real-world cohort of patients with heart failure with reduced ejection fraction treated within the Brazilian Unified Health System in the Federal District, treatment with sacubitril–valsartan, when compared with enalapril or losartan at guideline-recommended maximum target doses, was not associated with additional reductions in hospitalizations or mortality. A significant improvement in functional status was observed. These results suggest that, in the presence of full titration of disease-modifying therapies, the incremental benefit of sacubitril–valsartan on hard clinical outcomes may be more limited than that reported in randomized clinical trials.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Medicina (FM)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Medicina, Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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