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Título: Acesso à justiça e identidade indígena : os A’uwe Uptabi (Xavante) acusados em demandas individuais na subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT
Autor(es): Lino, Kennia Dias
Orientador(es): Igreja, Rebecca Forattini Altino Machado Lemos
Assunto: Acesso à justiça
Identidade étnica
Indígenas Xavante
Data de publicação: 29-dez-2025
Referência: LINO, Kennia Dias. Acesso à justiça e identidade indígena: os A’uwe Uptabi (Xavante) acusados em demandas individuais na subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT. 2025. 208 f., il. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025.
Resumo: O reconhecimento de direitos para os povos indígenas na Constituição Federal de 1988 mudou o paradigma da concepção do sujeito indígena, impondo ao Estado brasileiro o dever de proteger e promover esses direitos. A Constituição, ao inovar, rompeu com o passado de invisibilização ao reconhecer um novo sujeito: o indígena. Determinou que o Estado não apenas reconheça sua organização social, línguas, costumes, crenças, tradições, o direito ao território, à educação diferenciada com uso de línguas maternas e à possibilidade de ingresso em juízo para defesa coletiva de seus direitos, mas também o obrigou a assegurar e efetivar esses direitos. Considerando os direitos indígenas inscritos na Constituição de 1988, este trabalho discute o reconhecimento da identidade étnica indígena e o acesso à justiça. O problema central desta tese é compreender como o Estado, por meio do Poder Judiciário, reconhece a identidade étnica do indígena enquanto indivíduo durante o processo penal. Os objetivos desta tese são: analisar, na prática judiciária, de que forma os direitos indígenas são aplicados durante o processo penal; investigar as ações judiciais em que indígenas Xavante são acusados de crimes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e avaliar qual concepção de identidade indígena predomina, além de entender como essa concepção está ligada à viabilização do acesso à justiça. Este estudo adota uma análise crítica sobre a identidade étnica nos processos judiciais em que o indígena Xavante é demandado individualmente, especialmente em casos envolvendo fraudes ao sistema de previdência social. A escolha da Subseção Judiciária de Barra do Garças-MT se justifica por ser cidade polo regional, para onde os Xavante se dirigem em busca de acesso a bens e serviços públicos como em nenhum outro município da região, além de exercer competência sobre o território Xavante, povo cuja história de resistência está ligada à conquista de direitos e à manutenção da cultura. A metodologia utilizada é a etnografia de documentos, com análise de leis, resoluções dos órgãos estatais envolvidos no estudo e processos penais relativos a indígenas Xavante acusados de crimes contra autarquias federais, bem como de processos judiciais que tramitam na Subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT. Os processos judiciais foram selecionados a partir da identificação das demandas individuais dos Xavante no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com cruzamento de dados fornecidos pela direção da Subseção da Justiça Federal e consultas ao sistema interno e ao site, utilizando o filtro “estelionato majorado”. A prática jurídica não atua em conformidade com as determinações legais específicas, como as normas das resoluções do CNJ. Nos processos examinados, não há menção à cultura ou à identidade, persistindo a ideia do “índio” representado pela FUNAI, o que indica a manutenção do regime tutelar. O sujeito indígena é tratado como se fosse um não indígena, considerado integrado devido à ausência de referência à identidade étnica. Mesmo no único caso em que há menção à condição indígena ou em que a defesa reivindica a identidade étnica com base na Resolução nº 287 do CNJ, essa reivindicação é negada sob o argumento de que o indivíduo fala português e ocupa cargo público, tomando o indígena como integrado e, assim, fora das proteções legais específicas para povos indígenas. O desconhecimento das funções institucionais relativas aos direitos indígenas, a omissão ou negação desses direitos e o tratamento genérico do indivíduo Xavante, sem consideração à sua identidade étnica, perpetuam o projeto colonial de apagamento das identidades indígenas no Brasil, conduzindo à contínua tentativa de transformar os indígenas em brasileiros integrados ou “desaparecidos” na comunhão nacional.
Abstract: The recognition of rights for Indigenous peoples in the 1988 Federal Constitution changed the paradigm of how Indigenous subjects are conceived, imposing on the Brazilian State the duty to protect and promote these rights. By innovating, the Constitution broke with a history of invisibility by recognizing a new subject: the Indigenous person. It established that the State should not only recognize their social organization, languages, customs, beliefs, and traditions, along with the right to territory, to differentiated education with the use of native languages, and the possibility of taking legal action collectively to defend their rights, but also obliged the State to ensure and implement these rights. Considering the Indigenous rights enshrined in the 1988 Constitution, this work discusses the recognition of Indigenous ethnic identity and access to justice. The central problem of this thesis is to understand how the State, through the Judiciary, recognizes the ethnic identity of Indigenous individuals during criminal proceedings. The objectives of this thesis are: to analyze, in judicial practice, how Indigenous rights are applied during criminal proceedings; to investigate lawsuits in which Xavante Indigenous people are accused of crimes against the National Institute of Social Security (INSS); and to assess which conception of Indigenous identity prevails, as well as to understand how this conception connects to the availability of access to justice. This study adopts a critical analysis of ethnic identity in judicial proceedings in which Xavante individuals are defendants, especially in cases involving social security fraud. The selection of the Federal Judicial Subsection of Barra do Garças-MT is justified by its position as a regional center, attracting Xavante people seeking access to public goods and services to a greater extent than in other municipalities in the region, as well as by its jurisdiction over Xavante territory—a people whose history of resistance is linked to the conquest of rights and the preservation of their culture. The methodology used is document ethnography, analyzing laws, resolutions from the state agencies involved in the study, and criminal cases involving Xavante individuals accused of crimes against federal public agencies, as well as the judicial proceedings processed in the Federal Court of Barra do Garças-MT. The cases were selected by identifying individual demands of Xavante people at the Federal Regional Court of the 1st Region, cross-referenced with data provided by the Federal Justice Subsection's administration, and through internal system and website searches, using the “major fraud” filter. Legal practice does not comply with specific legal provisions, such as the rules of the CNJ resolutions. In the cases examined, there is no mention of culture or identity, and the idea of the “Indian” represented by FUNAI persists, indicating the maintenance of the tutelary regime. The Indigenous subject is treated as if they were a nonIndigenous person, considered assimilated due to the absence of any reference to ethnic identity. Even in the rare instances where there is mention of Indigenous status or where the defense invokes ethnic identity based on CNJ Resolution 287, such claims are denied on the grounds that the individual speaks Portuguese and holds a public position, thus regarding the Indigenous as assimilated and, therefore, ineligible for the legal protections specific to Indigenous peoples. Ignorance of the institutional functions related to Indigenous rights, the omission or denial of these rights, and the generic treatment of Xavante individuals—without considering their ethnic identity—perpetuate the colonial project of erasing Indigenous identities in Brazil, resulting in the continued attempt to transform Indigenous people into assimilated or “disappeared” Brazilians within the national collective.
Resumen: El reconocimiento de derechos para los pueblos indígenas en la Constitución Federal de 1988 cambió el paradigma de la concepción del sujeto indígena, imponiendo al Estado brasileño el deber de proteger y promover esos derechos. La Constitución, al innovar, rompió con el pasado de invisibilización al reconocer un nuevo sujeto: el indígena. Determinó que el Estado no solo reconozca su organización social, lenguas, costumbres, creencias, tradiciones, el derecho al territorio, a la educación diferenciada con uso de lenguas maternas y la posibilidad de acceso a la justicia para la defensa colectiva de sus derechos, sino que también lo obligó a asegurar y efectivizar tales derechos. Considerando los derechos indígenas incluidos en la Constitución de 1988, este trabajo discute el reconocimiento de la identidad étnica indígena y el acceso a la justicia. El problema central de esta tesis es comprender cómo el Estado, a través del Poder Judicial, reconoce la identidad étnica del indígena como individuo en el proceso penal. Los objetivos de esta tesis son: analizar, en la práctica judicial, de qué manera se aplican los derechos indígenas durante el proceso penal; investigar las acciones judiciales en las que indígenas Xavante son acusados de delitos contra el Instituto Nacional del Seguro Social (INSS); y evaluar qué concepción de identidad indígena predomina, además de comprender cómo esa concepción está vinculada a la viabilidad del acceso a la justicia. Este estudio adopta un análisis crítico sobre la identidad étnica en los procesos judiciales en los que el indígena Xavante es demandado individualmente, especialmente en casos que involucran fraudes al sistema de seguridad social. La elección de la Subsección Judicial de Barra do Garças-MT se justifica por ser ciudad polo regional, adonde los Xavante se dirigen en busca de acceso a bienes y servicios públicos como en ningún otro municipio de la región, además de ejercer competencia sobre el territorio Xavante, pueblo cuya historia de resistencia está ligada a la conquista de derechos y al mantenimiento de la cultura. La metodología utilizada es la etnografía de documentos, con análisis de leyes, resoluciones de los organismos estatales involucrados en el estudio y procesos penales relativos a indígenas Xavante acusados de delitos contra organismos federales, así como de procesos judiciales que tramitan en la Subsección de la Justicia Federal de Barra do Garças-MT. Los procesos judiciales fueron seleccionados a partir de la identificación de las demandas individuales de los Xavante en el Tribunal Regional Federal de la 1ª Región, con cruce de datos proporcionados por la dirección de la Subsección de la Justicia Federal y consultas al sistema interno y al sitio web, utilizando el filtro “estafa agravada”. La práctica jurídica no actúa en conformidad con las determinaciones legales específicas, como las normas de las resoluciones del CNJ. En los procesos examinados, no hay mención a la cultura ni a la identidad, persistiendo la idea del “indio” representado por la FUNAI, lo que indica el mantenimiento del régimen tutelar. El sujeto indígena es tratado como si fuera un no indígena, considerado integrado debido a la ausencia de referencia a la identidad étnica. Incluso en los raros casos en que se menciona la condición indígena o en que la defensa reivindica la identidad étnica con base en la Resolución N.º 287 del CNJ, tal reivindicación es negada bajo el argumento de que el individuo habla portugués y ocupa un cargo público, tomando al indígena como integrado y, así, fuera de las protecciones legales específicas para pueblos indígenas. El desconocimiento de las funciones institucionales relativas a los derechos indígenas, la omisión o negación de esos derechos y el tratamiento genérico del individuo Xavante, sin consideración a su identidad étnica, perpetúan el proyecto colonial de invisibilización de las identidades indígenas en Brasil, llevando al continuo intento de transformar a los indígenas en brasileños integrados o “desaparecidos” en la comunión nacional.
Unidade Acadêmica: Faculdade de Direito (FD)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2025.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Direito
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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