| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Igreja, Rebecca Forattini Altino Machado Lemos | - |
| dc.contributor.author | Lino, Kennia Dias | - |
| dc.date.accessioned | 2025-12-29T14:44:04Z | - |
| dc.date.available | 2025-12-29T14:44:04Z | - |
| dc.date.issued | 2025-12-29 | - |
| dc.date.submitted | 2025-08-15 | - |
| dc.identifier.citation | LINO, Kennia Dias. Acesso à justiça e identidade indígena: os A’uwe Uptabi (Xavante) acusados em demandas individuais na subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT. 2025. 208 f., il. Tese (Doutorado em Direito) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/53545 | - |
| dc.description | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2025. | pt_BR |
| dc.description.abstract | O reconhecimento de direitos para os povos indígenas na Constituição Federal de 1988 mudou
o paradigma da concepção do sujeito indígena, impondo ao Estado brasileiro o dever de
proteger e promover esses direitos. A Constituição, ao inovar, rompeu com o passado de
invisibilização ao reconhecer um novo sujeito: o indígena. Determinou que o Estado não apenas
reconheça sua organização social, línguas, costumes, crenças, tradições, o direito ao território,
à educação diferenciada com uso de línguas maternas e à possibilidade de ingresso em juízo
para defesa coletiva de seus direitos, mas também o obrigou a assegurar e efetivar esses direitos.
Considerando os direitos indígenas inscritos na Constituição de 1988, este trabalho discute o
reconhecimento da identidade étnica indígena e o acesso à justiça. O problema central desta
tese é compreender como o Estado, por meio do Poder Judiciário, reconhece a identidade étnica
do indígena enquanto indivíduo durante o processo penal. Os objetivos desta tese são: analisar,
na prática judiciária, de que forma os direitos indígenas são aplicados durante o processo penal;
investigar as ações judiciais em que indígenas Xavante são acusados de crimes contra o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS); e avaliar qual concepção de identidade indígena predomina,
além de entender como essa concepção está ligada à viabilização do acesso à justiça. Este estudo
adota uma análise crítica sobre a identidade étnica nos processos judiciais em que o indígena
Xavante é demandado individualmente, especialmente em casos envolvendo fraudes ao sistema
de previdência social. A escolha da Subseção Judiciária de Barra do Garças-MT se justifica por
ser cidade polo regional, para onde os Xavante se dirigem em busca de acesso a bens e serviços
públicos como em nenhum outro município da região, além de exercer competência sobre o
território Xavante, povo cuja história de resistência está ligada à conquista de direitos e à
manutenção da cultura. A metodologia utilizada é a etnografia de documentos, com análise de
leis, resoluções dos órgãos estatais envolvidos no estudo e processos penais relativos a
indígenas Xavante acusados de crimes contra autarquias federais, bem como de processos
judiciais que tramitam na Subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT. Os processos
judiciais foram selecionados a partir da identificação das demandas individuais dos Xavante no
Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com cruzamento de dados fornecidos pela direção da
Subseção da Justiça Federal e consultas ao sistema interno e ao site, utilizando o filtro
“estelionato majorado”. A prática jurídica não atua em conformidade com as determinações
legais específicas, como as normas das resoluções do CNJ. Nos processos examinados, não há
menção à cultura ou à identidade, persistindo a ideia do “índio” representado pela FUNAI, o
que indica a manutenção do regime tutelar. O sujeito indígena é tratado como se fosse um não
indígena, considerado integrado devido à ausência de referência à identidade étnica. Mesmo no
único caso em que há menção à condição indígena ou em que a defesa reivindica a identidade
étnica com base na Resolução nº 287 do CNJ, essa reivindicação é negada sob o argumento de
que o indivíduo fala português e ocupa cargo público, tomando o indígena como integrado e,
assim, fora das proteções legais específicas para povos indígenas. O desconhecimento das
funções institucionais relativas aos direitos indígenas, a omissão ou negação desses direitos e o
tratamento genérico do indivíduo Xavante, sem consideração à sua identidade étnica,
perpetuam o projeto colonial de apagamento das identidades indígenas no Brasil, conduzindo à
contínua tentativa de transformar os indígenas em brasileiros integrados ou “desaparecidos” na
comunhão nacional. | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | Acesso à justiça e identidade indígena : os A’uwe Uptabi (Xavante) acusados em demandas individuais na subseção da Justiça Federal de Barra do Garças-MT | pt_BR |
| dc.type | Tese | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Acesso à justiça | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Identidade étnica | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Indígenas Xavante | pt_BR |
| dc.rights.license | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. | pt_BR |
| dc.description.abstract1 | The recognition of rights for Indigenous peoples in the 1988 Federal Constitution changed
the paradigm of how Indigenous subjects are conceived, imposing on the Brazilian State the
duty to protect and promote these rights. By innovating, the Constitution broke with a history
of invisibility by recognizing a new subject: the Indigenous person. It established that the
State should not only recognize their social organization, languages, customs, beliefs, and
traditions, along with the right to territory, to differentiated education with the use of native
languages, and the possibility of taking legal action collectively to defend their rights, but
also obliged the State to ensure and implement these rights. Considering the Indigenous
rights enshrined in the 1988 Constitution, this work discusses the recognition of Indigenous
ethnic identity and access to justice. The central problem of this thesis is to understand how
the State, through the Judiciary, recognizes the ethnic identity of Indigenous individuals
during criminal proceedings. The objectives of this thesis are: to analyze, in judicial practice,
how Indigenous rights are applied during criminal proceedings; to investigate lawsuits in
which Xavante Indigenous people are accused of crimes against the National Institute of
Social Security (INSS); and to assess which conception of Indigenous identity prevails, as
well as to understand how this conception connects to the availability of access to justice.
This study adopts a critical analysis of ethnic identity in judicial proceedings in which
Xavante individuals are defendants, especially in cases involving social security fraud. The
selection of the Federal Judicial Subsection of Barra do Garças-MT is justified by its position
as a regional center, attracting Xavante people seeking access to public goods and services
to a greater extent than in other municipalities in the region, as well as by its jurisdiction
over Xavante territory—a people whose history of resistance is linked to the conquest of
rights and the preservation of their culture. The methodology used is document ethnography,
analyzing laws, resolutions from the state agencies involved in the study, and criminal cases
involving Xavante individuals accused of crimes against federal public agencies, as well as
the judicial proceedings processed in the Federal Court of Barra do Garças-MT. The cases
were selected by identifying individual demands of Xavante people at the Federal Regional
Court of the 1st Region, cross-referenced with data provided by the Federal Justice
Subsection's administration, and through internal system and website searches, using the
“major fraud” filter. Legal practice does not comply with specific legal provisions, such as
the rules of the CNJ resolutions. In the cases examined, there is no mention of culture or
identity, and the idea of the “Indian” represented by FUNAI persists, indicating the
maintenance of the tutelary regime. The Indigenous subject is treated as if they were a nonIndigenous person, considered assimilated due to the absence of any reference to ethnic
identity. Even in the rare instances where there is mention of Indigenous status or where the
defense invokes ethnic identity based on CNJ Resolution 287, such claims are denied on the
grounds that the individual speaks Portuguese and holds a public position, thus regarding the
Indigenous as assimilated and, therefore, ineligible for the legal protections specific to
Indigenous peoples. Ignorance of the institutional functions related to Indigenous rights, the
omission or denial of these rights, and the generic treatment of Xavante individuals—without
considering their ethnic identity—perpetuate the colonial project of erasing Indigenous
identities in Brazil, resulting in the continued attempt to transform Indigenous people into
assimilated or “disappeared” Brazilians within the national collective. | pt_BR |
| dc.description.abstract2 | El reconocimiento de derechos para los pueblos indígenas en la Constitución Federal de 1988
cambió el paradigma de la concepción del sujeto indígena, imponiendo al Estado brasileño el
deber de proteger y promover esos derechos. La Constitución, al innovar, rompió con el pasado
de invisibilización al reconocer un nuevo sujeto: el indígena. Determinó que el Estado no solo
reconozca su organización social, lenguas, costumbres, creencias, tradiciones, el derecho al
territorio, a la educación diferenciada con uso de lenguas maternas y la posibilidad de acceso a
la justicia para la defensa colectiva de sus derechos, sino que también lo obligó a asegurar y
efectivizar tales derechos. Considerando los derechos indígenas incluidos en la Constitución de
1988, este trabajo discute el reconocimiento de la identidad étnica indígena y el acceso a la
justicia. El problema central de esta tesis es comprender cómo el Estado, a través del Poder
Judicial, reconoce la identidad étnica del indígena como individuo en el proceso penal. Los
objetivos de esta tesis son: analizar, en la práctica judicial, de qué manera se aplican los
derechos indígenas durante el proceso penal; investigar las acciones judiciales en las que
indígenas Xavante son acusados de delitos contra el Instituto Nacional del Seguro Social
(INSS); y evaluar qué concepción de identidad indígena predomina, además de comprender
cómo esa concepción está vinculada a la viabilidad del acceso a la justicia. Este estudio adopta
un análisis crítico sobre la identidad étnica en los procesos judiciales en los que el indígena
Xavante es demandado individualmente, especialmente en casos que involucran fraudes al
sistema de seguridad social. La elección de la Subsección Judicial de Barra do Garças-MT se
justifica por ser ciudad polo regional, adonde los Xavante se dirigen en busca de acceso a bienes
y servicios públicos como en ningún otro municipio de la región, además de ejercer
competencia sobre el territorio Xavante, pueblo cuya historia de resistencia está ligada a la
conquista de derechos y al mantenimiento de la cultura. La metodología utilizada es la
etnografía de documentos, con análisis de leyes, resoluciones de los organismos estatales
involucrados en el estudio y procesos penales relativos a indígenas Xavante acusados de delitos
contra organismos federales, así como de procesos judiciales que tramitan en la Subsección de
la Justicia Federal de Barra do Garças-MT. Los procesos judiciales fueron seleccionados a partir
de la identificación de las demandas individuales de los Xavante en el Tribunal Regional
Federal de la 1ª Región, con cruce de datos proporcionados por la dirección de la Subsección
de la Justicia Federal y consultas al sistema interno y al sitio web, utilizando el filtro “estafa
agravada”. La práctica jurídica no actúa en conformidad con las determinaciones legales
específicas, como las normas de las resoluciones del CNJ. En los procesos examinados, no hay
mención a la cultura ni a la identidad, persistiendo la idea del “indio” representado por la
FUNAI, lo que indica el mantenimiento del régimen tutelar. El sujeto indígena es tratado como
si fuera un no indígena, considerado integrado debido a la ausencia de referencia a la identidad
étnica. Incluso en los raros casos en que se menciona la condición indígena o en que la defensa
reivindica la identidad étnica con base en la Resolución N.º 287 del CNJ, tal reivindicación es
negada bajo el argumento de que el individuo habla portugués y ocupa un cargo público,
tomando al indígena como integrado y, así, fuera de las protecciones legales específicas para
pueblos indígenas. El desconocimiento de las funciones institucionales relativas a los derechos
indígenas, la omisión o negación de esos derechos y el tratamiento genérico del individuo
Xavante, sin consideración a su identidad étnica, perpetúan el proyecto colonial de
invisibilización de las identidades indígenas en Brasil, llevando al continuo intento de
transformar a los indígenas en brasileños integrados o “desaparecidos” en la comunión
nacional. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Faculdade de Direito (FD) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Direito | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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