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Título: A escuta geopoética no Cerrado Kalunga : a rexistência afrodiaspórica entre vãos e cantigas
Autor(es): Melo, Alex Canuto de
Orientador(es): Silva Junior, Augusto Rodrigues da
Assunto: Geopoesia
Quilombo Kalunga
Performance
Escuta sensível
Data de publicação: 3-Nov-2026
Referência: MELO, Alex Canuto de. A escuta geopoética no Cerrado Kalunga: a rexistência afrodiaspórica entre vãos e cantigas. 2026. 121 f., il. Dissertação (Mestrado em Literatura) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta dissertação resulta de uma pesquisa de campo voltada à análise literária das cantigas do quilombo Kalunga sob a perspectiva da geopoesia enquanto teoria do literário. Partindo da compreensão de que as cantigas constituem expressões das performances culturais do povo Kalunga, investigamos suas práticas corporais e vocais nos corredores da geopoesia - nas divisas entre Goiás e Tocantins, com pesquisa mais aprofundada na comunidade do Vão de Almas. Amparados na concepção de literatura proposta por Paul Zumthor - entendida como arte da linguagem humana fundada nas estruturas antropológicas mais profundas - consideramos que voz, corpo, espaço e tempo integram o fenômeno poético, em convergência profunda com a performance, poesia pensada enquanto ritual da linguagem. Assumindo a postura do etnoflâneur e suas ferramentas analíticas (Silva Júnior, 2021), analisamos os versos Kalunga em três vertentes de cantigas de batuque: sussa, curraleira e alvorada. A pesquisa fundamenta-se metodologicamente na crítica literária de Antônio Candido (1986), na correlação entre geografia cultural e geopoesia desenvolvida na tese de Elizeth da Costa Alves (2020) e nas contribuições do conceito de vivebilidade de Maria Helena Serafim (2023). Com base nesses referenciais, desenvolvemos a escuta geopoética como método de análise literária suplementar, que interpreta as camadas textuais dos versos a partir daquilo que dizem, pensam e imaginam os atores sociais da comunidade - sujeitos que vivem a diáspora quilombola na voz e no corpo. A escuta geopoética integra as falas dos interlocutores à leitura literária das cantigas, investigando-as pela raizama de sua arte palavral. Buscamos compreender o que dizem, reivindicam, ritualizam e cantam as vozes quilombolas na confluência diaspórica, concebendo o bioma Cerrado como território de rexistência afrodiaspórica e vivebilidade do povo Kalunga.
Abstract: This dissertation results from field research aimed at the literary analysis of the songs of the Kalunga quilombo from the perspective of geopoetics as a theory of the literary. Based on the understanding that songs, dances, and oralities constitute expressions of the cultural performances of the Kalunga people, we investigate their bodily and vocal practices within the corridors of geopoetics — along the borders between Goiás and Tocantins, with more in-depth research conducted in the Vão de Almas community. Grounded in Paul Zumthor’s conception of literature — understood as the art of human language founded on the deepest anthropological structures — we consider that voice, body, space, and time integrate the poetic phenomenon, in deep convergence with performance, with poetry conceived as a ritual of language. Assuming the stance of the ethnoflâneur and its analytical tools (Silva Junior, 2021), we analyze Kalunga verses across three strands of batuque songs: sussa, curraleira, and alvorada. The research is methodologically grounded in the literary criticism of Antonio Candido (1986), in the correlation between cultural geography and geopoetics developed in the thesis of Elizeth da Costa Alves (2020), and in the contributions of the concept of vivebility by Maria Helena Serafim (2023). Based on these frameworks, we develop geopoetic listening as a supplementary method of literary analysis, which interprets the textual layers of the verses from what the social actors of the community say, think, and imagine — subjects who live the diaspora within the broader historical and quilombola diaspora, through voice and body. Geopoetic listening integrates the interlocutors’ speech into the literary reading of the songs, investigating them through raizama in their verbal art. We seek to understand what the voices of quilombola social actors say, claim, ritualize, and sing within diasporic confluence, conceiving the Cerrado biome — of/from Goiás and Tocantins — as a territory of Afro-diasporic re existence and vivebility of the Kalunga people.
Unidade Acadêmica: Instituto de Letras (IL)
Departamento de Teoria Literária e Literaturas (IL TEL)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Programa de Pós-Graduação em Literaturas, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Literatura
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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