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Título: Da institucionalização regional à não-regionalização do turismo no território brasileiro
Autor(es): Sousa, Diogo Diniz de
Orientador(es): Araújo Sobrinho, Fernando Luiz
Assunto: Programa de Regionalização do Turismo
Turismo
Descentralização administrativa
Democratização
Território
Data de publicação: 14-Out-2026
Referência: SOUSA, Diogo Diniz de. Da institucionalização regional à não-regionalização do turismo no território brasileiro. 2026. 328 f. Tese (Doutorado em Geografia) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Esta tese tem como objetivo central compreender as contradições do Programa de Regionalização do Turismo (PRT) no Brasil ao demonstrar que o território usado pelo turismo foi, na prática, materializado como recurso pelo capital,resultando em um processo de institucionalização regional que desembocou em não-regionalização efetiva. Adotandoo marco teórico da Geografia Crítica, especialmente a categoria “território usado” de Milton Santos e o materialismohistórico-dialético, a pesquisa relaciona os conceitos de região turística, descentralização administrativa edemocratização política como parâmetros analíticos fundamentais da própria regionalização, analisando-os em suatotalidade contraditória ao longo de seu tempo histórico. Também, como técnica de pesquisa complementar, foirealizada análise documental de políticas públicas, normativas ministeriais, dados orçamentários, mapas do turismobrasileiro, categorizações municipais e inventários turísticos. A investigação revela que a delimitação das regiõesturísticas obedeceu a critérios mercadológicos e tecnocráticos verticais, sem coesão territorial endógena, gerandoaglomerados municipais e redes urbanas hierarquizadas em vez de regiões propriamente ditas; que a descentralizaçãoadministrativa manteve-se retórica, com recursos e poder decisório concentrados na escala nacional (Ministério doTurismo e emendas parlamentares) e aplicados diretamente na escala local, esvaziando escalas estadual e regional; eque a democratização política configurou-se imperfeita, pois as instâncias de governança foram capturadashegemonicamente pelo setor produtivo do turismo, limitando a participação da sociedade civil e subordinandodecisões aos interesses do capital. Conclui-se que o PRT, apesar de seu discurso institucional, reproduziu e aprofundouas lógicas das políticas anteriores, acentuando desigualdades socioespaciais e reforçando a reprodução capitalista noBrasil contemporâneo. Como implicação teórica, a tese demonstra que não se criou regiões turísticas, mas redesurbanas do turismo comandadas por centralidades urbanas de alta densidade técnica e normativa; que apesar dadescentralização ecoada, há a predominância institucional do Ministério do Turismo como órgão normativo eexecutivo do turismo no território brasileiro; e que a democratização que deveria ser capilarizada, não é, atestando anão-regionalização do turismo, a partir de suas facetas espaciais, institucional-econômicas e sociopolíticas. Comoimplicação prática, propõe uma nova política pública de turismo baseada no território como abrigo, com governança horizontal, paritária, orgânica e endógena, capaz de superar a lógica mercantil e transformar o turismo eminstrumento de justiça social e desenvolvimento territorial solidário no país.
Abstract: This thesis has as its central objective to understand the contradictions of the Tourism Regionalization Program (PRT) in Brazil by demonstrating that the territory used by tourism was, in practice, materialized as a resource by capital, resulting in a process of regional institutionalization that led to effective non-regionalization. Adopting the theoretical framework of Critical Geography, especially Milton Santos’s category of “território usado” and historical-dialectical materialism, the research relates the concepts of tourist region, administrative decentralization and political democratization as the fundamental analytical parameters of the regionalization itself, examining them in their contradictory totality throughout historical time. Additionally, as a complementary research technique, documentary analysis was carried out of public policies, ministerial regulations, budgetary data, and maps of Brazilian tourism, municipal categorizations and tourist inventories. The investigation reveals that the delimitation of tourist regions obeyed vertical market and technocratic criteria, without endogenous territorial cohesion, generating municipal agglomerations and hierarchized urban networks instead of proper regions; that administrative decentralization remained rhetorical, with resources and decision-making power concentrated at the national scale (Ministry of Tourism and parliamentary amendments) and applied directly at the local scale, emptying the state and regional scales; and that political democratization proved false, since the governance instances were hegemonically captured by the productive sector of tourism, limiting civil-society participation and subordinating decisions to capital interests. It is concluded that the PRT, despite its institutional discourse, reproduced and deepened the logic of previous policies, accentuating socio-spatial inequalities and reinforcing capitalist reproduction in contemporary Brazil. As a theoretical implication, the thesis demonstrates that tourist regions were not created, but rather tourism urban networks commanded by urban centralities of high technical and normative density; that despite the echoed decentralization, the institutional predominance of the Ministry of Tourism persists as the normative and executive board of tourism in Brazilian territory; and that the democratization that should have been capillary is not, thus proving the non-regionalization of tourism from its spatial, institutional-economic and sociopolitical facets. As a practical implication, it proposes a new public tourism policy based on territory as shelter, with horizontal, parity-based, organic and endogenous governance, capable of overcoming mercantile logic and transforming tourism into an instrument of social justice and solidary territorial development in the country.
Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Humanas (ICH)
Departamento de Geografia (ICH GEA)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de Geografia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, 2026.
Programa de pós-graduação: Da institucionalização regional à não-regionalização do turismo no território brasileiro
Licença: A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data.
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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