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Título: Estudo evolutivo e bioquímico de serinoproteases da peçonha de toxicóferos
Autor(es): Vidal, Julia Freitas Daltro
Orientador(es): Barbosa, João Alexandre Ribeiro Gonçalves
Assunto: Atividade enzimática
Peçonha
Toxinas
Toxicofera
Répteis
Data de publicação: 12-Ago-2026
Referência: VIDAL, Julia Freitas Daltro. Estudo evolutivo e bioquímico de serinoproteases da peçonha de toxicóferos. 2024. 163 f., il. Dissertação (Mestrado em Biologia Molecular) — Universidade de Brasília, Brasília, 2024.
Resumo: As serinoproteases da peçonha de répteis do clado Toxicofera são toxinas que atuam no sistema hemostático da presa. Suas versões presentes em serpentes são extensivamente estudadas há décadas. Em contrapartida, pouco se conhece bioquimicamente as de lagartos. Apesar da sua elevada similaridade de sequências, essas enzimas atuam em uma ampla variedade de substratos, apresentando, entre outros, atividade semelhante à calicreína e à trombina. A evolução que resultou nessa diversificação pode ser estudada através da técnica de reconstrução de sequências ancestrais. Nesta abordagem, as sequências ancestrais são construídas a partir de sequências modernas, permitindo-nos compreender as propriedades das proteínas extintas. Este trabalho tem como objetivo estudar a evolução das serinoproteases de peçonha através da reconstrução da sequência ancestral de Viperidae e de sua caracterização, além da caracterização de uma serinoprotease da peçonha do lagarto Varanus komodoensis. A filogenia dessas enzimas assim como a sequência ancestral de Viperidae foram construídas utilizando-se o software MEGA-X. Ambas as enzimas foram expressas em Komagataella phaffii e purificadas por cromatografia de afinidade a Ni2+ . A deglicosilação das proteínas foi feita com a enzima PNGase F e os testes enzimáticos realizados utilizando-se ambas glicosiladas e desglicosiladas. A sequência reconstruída apresentou bons valores estatísticos. As enzimas expressas apresentaram tamanho diferente do esperado, o que foi confirmado como sendo causado por N-glicosilações, uma modificação pós-traducional prevalente nessas toxinas. Testes de atividade mostraram que a enzima ancestral apresenta atividade sobre o fibrinogênio apenas quando deglicosilada, enquanto a de V. komodoensis somente quando glicosilada. A clivagem do fibrinogênio não gerou formação de coágulos por nenhuma das enzimas, indicando que ambas atuam na depleção de fibrinogênio plasmático. A enzima ancestral mostrou atividade sobre um substrato sintético de calicreína tanto glicosilada como deglicosilada, o que endossa a ideia de que a calicreína é o ancestral das serinoproteases da peçonha. Além disso, a ancestral demonstrou possuir estabilidade estrutural, não sendo desnaturada até 95°C. Esse estudo foi capaz de ampliar o conhecimento da diversidade e da evolução funcional e estrutural dessas toxinas de toxicóferos.
Abstract: The serine proteases found in the venom of reptiles from the Toxicofera clade are toxins that act on the prey's hemostatic system. Its versions present in snakes have been extensively studied for decades. On the other hand, little is known biochemically about lizards’ enzymes. Despite their high sequence similarity, these enzymes act on a range of substrates, presenting, among others, activities similar to kallikrein and thrombin. The evolution that resulted in this diversification can be studied through the ancestral sequences reconstruction technique. In this approach, ancestral sequences are reconstructed from modern sequences, allowing us to understand the properties of extinct proteins. This work aims to study the evolution of venom serine proteases through the reconstruction of the ancestral sequence of Viperidae and its characterization, in addition to the characterization of a serine protease from the venom of the lizard Varanus komodoensis. The phylogeny of these enzymes and the ancestral sequence of Viperidae were built using the MEGA-X software. Both enzymes were expressed in Komagataella phaffii and purified by affinity chromatography by Ni2+. Proteins were deglycosylated using the PNGase F enzyme. Enzymatic tests were performed using both glycosylated and deglycosylated proteins. The reconstructed sequence showed good statistical values. The expressed enzymes were different in size than expected, which was confirmed to be caused by N-glycosylations, a post-translational modification prevalent in these toxins. Activity tests showed that the ancestral enzyme presents activity against fibrinogen only when deglycosylated, while that of V. komodoensis only when glycosylated. Fibrinogen cleavage did not generate clot formation by either enzyme, indicating that both act in fibrinogen depletion. The ancestral enzyme showed activity against a synthetic kallikrein substrate when it was both glycosylated and deglycosylated, in agreement with the belief that kallikrein is the ancestor of venom serine proteases. Additionally, the ancestral enzyme exhibited structural stability, remaining stable even at 95°C. This study was able to enhance the understanding of the diversity and functional and structural evolution of these toxins in venomous reptiles.
Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Biológicas (IB)
Departamento de Biologia Celular (IB CEL)
Informações adicionais: Dissertação (mestrado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Biológicas, Departamento de Biologia Celular, Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular, 2024.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em Biologia Molecular
Agência financiadora: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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