http://repositorio.unb.br/handle/10482/55383| Arquivo | Tamanho | Formato | |
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| JaquelineMarinhoPinheiroDeAlmeida_TESE.pdf | 2,23 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | (Mais) uma história das orações relativas do português do Brasil em perspectiva paramétrica |
| Autor(es): | Almeida, Jaqueline Marinho Pinheiro de |
| Orientador(es): | Salles, Heloísa Maria Moreira Lima de Almeida |
| Coorientador(es): | Andrade, Aroldo Leal de |
| Assunto: | Teoria gerativa Sintaxe Orações (gramática) |
| Data de publicação: | 10-Jul-2026 |
| Data de defesa: | 18-Dez-2025 |
| Referência: | ALMEIDA, Jaqueline Marinho Pinheiro de. (Mais) uma história das orações relativas do português do Brasil em perspectiva paramétrica. 2025. 215 f. Tese (Doutorado em Linguística) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Muitas pesquisas têm se debruçado sobre a estrutura das orações relativas do Português do Brasil. Em geral, há o reconhecimento de uma mudança linguística em direção à perda do pied-piping da preposição com o pronome relativo nessas estruturas. Não há consenso, no entanto, acerca dos passos envolvidos e do estatuto categorial do relativizador na estrutura resultante dessa mudança. Este trabalho revisita a discussão buscando identificar a trajetória gramatical que possa explicar o curso diacrônico das orações relativas do português brasileiro (PB), tendo em vista a tipologia da relativização proposta no estudo seminal de Vries (2002). Para isso, fazemos uma análise quantitativa de dados linguísticos a partir do que consideramos a formação do português brasileiro até a atualidade: séculos XIX, XX e XXI, levando em conta variáveis estruturais como tipo de pronome, função relativizada, preposição envolvida e tipo semântico da oração relativa. Os corpora que compõem a base de dados representam dois gêneros textuais que refletem os usos de falantes do português brasileiro culto: cartas pessoais escritas por pessoas escolarizadas dos séculos XIX e XX e discursos parlamentares espontâneos do século XXI. A investigação é feita dentro do quadro da teoria gerativa, em sua versão Minimalista (cf. Chomsky 1995, 2001), com a utilização dos conceitos da sintaxe diacrônica (cf. Roberts, 2007, 2019). Constatou-se, em consonância com os estudos prévios, um aumento significativo no uso de relativas com que sem preposição (referidas como cortadoras), e consequente desaparecimento da relativa com a preposição (pied-piping), a partir da segunda metade do século XX, incluindo a sincronia, notadamente na relativização da posição de adjunto, com implicações para o aumento no uso da forma que, e declínio das formas cujo, o qual e quem. Além disso, verificou-se o aumento das chamadas relativas estruturais, que relativizam a posição de sujeito e objeto, o que relacionamos à perda do OI em monotransitivas, entre outras mudanças na transitivização de predicados no PB. Partindo da observação de que já havia relativas cortadoras no Português Clássico, que desembarcou no Brasil em 1500, especialmente relativas de NP adverbial (Andrade, 2025), nossa hipótese é que, numa primeira etapa, mudanças no PB, possivelmente derivadas por uma questão de contato, como a ativação da posição de tópico e o surgimento do tópico-sujeito, impactaram as orações relativas, provocando um aumento do uso da estratégia cortadora. Numa segunda etapa, a ambiguidade estrutural ocasionada pela presença de sentenças relativas cortadoras geradas a partir da posição de tópico (Kato, 1993; Kato e Nunes 2009)) e de tópico-sujeito (Almeida e Salles, 2023), em adição às estruturas já presentes em posição de adjunto, em que o uso da preposição introdutora do pronome relativo não ocorre, tenha gerado um ambiente linguístico favorável à reanálise da estrutura relativa no português brasileiro. Dessa forma, por hipótese, os falantes nativos reinterpretaram a relativização de constituintes gerados em posições sintáticas que dispensam a atribuição de caso oblíquo por preposição como uma relativização sem movimento do pronome relativo, mas com um complementador em C, também encontrada na tipologia das línguas, assim definido por sua realização articulada com um D nulo (Drel) marcado pelo traço relativo na estrutura interna da oração relativa (Vries, 2002). O resultado dessa reanálise é a coexistência de relativas cortadoras com o complementador que (em C, com D+rel nulo na relativa) e relativas com alçamento do núcleo D realizado por pronomes relativos (que, o qual, quem), marcados pelo traço wh, e o pied-piping da preposição (ou por correlatos morfossintáticos, como onde, cujo), estas últimas ativadas nos contextos específicos das relativas apositivas e das restritivas na gramática do letrado.Diferentemente de Kato e Nunes (2009) e Lessade-Oliveira (2009), consideramos que nem todas as relativas cortadoras do PB são geradas por um pronome relativo alçado a partir de posições de tópico, mas que esta estrutura, além de outras com atribuição de caso semelhante, consiste em um dos passos da mudança, os quais não foram descritos desta forma pelos estudos que já consideram o que da oração relativa cortadora do português brasileiro como complementador, tais como Tarallo (1983) e Kenedy (2023 [2003]). |
| Abstract: | A substantial body of research has examined the structure of relative clauses in Brazilian Portuguese language. In general, there is broad recognition of an ongoing linguistic change toward the loss of pied-piping with the relative pronoun in these constructions. There is no consensus, however, regarding the steps involved in this change or the categorial status of the relativizer in the structure resulting from it. This study revisits the debate in order to identify the grammatical trajectory that may explain the diachronic development of relative clauses in Brazilian Portuguese (BP), in light of the typology of relativization proposed in the seminal work of Vries (2002). For that purpose, we conduct a quantitative analysis of linguistic data spanning what we consider the formation of Brazilian Portuguese up to the present day—the nineteenth, twentieth, and twenty-first centuries—regarding structural variables such as pronoun type, relativized function, preposition involved, and the semantic type of the relative clause. The corpora comprising the database represent two textual genres reflecting the usage of educated speakers of Brazilian Portuguese: personal letters written by educated individuals in the nineteenth and twentieth centuries and spontaneous parliamentary speeches from the twenty-first century. The investigation is carried out within the framework of Generative Theory, in its Minimalist version (cf. Chomsky 1995, 2001), drawing on concepts from diachronic syntax (cf. Roberts 2007, 2019). In line with previous studies, we find a significant increase in the use of prepositionless que relatives pronoun (referred to as chopping relatives’), alongside the consequent decline of pied-piping relatives, from the second half of the twentieth century onward, including the synchronic stage. This trend is especially evident in the relativization of adjunct positions and has implications for the increased use of the form que and the decline of the forms cujo, o qual, and quem. In addition, we observe an increase in so-called structural relatives, which relativize subject and object positions. We relate this development to the loss of indirect objects in monotransitive constructions, among other changes in predicate transitivity in BP. Starting from the observation that chopping relatives were already present in Classical Portuguese—which arrived in Brazil in 1500—especially in adverbial NP (Noun Phrase) relatives (cf. Andrade 2025), we hypothesize that, in an initial stage, changes in BP, possibly driven by language contact—such as the activation of the topic position and the emergence of topic–subject constructions—affected relative clauses, leading to an increase in the use of the chopping strategy. In a second stage, we argue that the structural ambiguity created by the presence of chopping relatives generated from topic positions (cf. Kato 1993; Kato & Nunes 2009) and from topic–subject constructions (cf. Almeida & Salles 2023), in addition to structures already available in adjunct positions where the preposition introducing the relative pronoun is absent, created a linguistic environment conducive to the reanalysis of relative clause structure in Brazilian Portuguese. Under this hypothesis, native speakers reinterpreted the relativization of constituents generated in syntactic positions that do not require the assignment of oblique case by a preposition as relativization without movement of the relative pronoun, but rather with a complementizer in C—also observed cross-linguistically—defined by its realization in conjunction with a null D (Drel) marked with a relative feature within the internal structure of the relative clause (Vries, 2002). The result of this reanalysis is the coexistence of chopping relatives with the complementizer que (in C, with null D+rel in the relative clause) and relatives involving raising of the D-head realized by relative pronouns (que, o qual, quem), marked with a who feature, along with pied-piping (or morphosyntactic correlates such as onde and cujo). The latter are restricted to the specific contexts of appositive relatives and restrictive relatives in the grammar of educated speakers. Unlike Kato & Nunes (2009) and Lessa-de-Oliveira (2009), we argue that not all chopping relatives in BP are derived via movement of a relative pronoun from topic positions. Rather, this structure—along with others involving similar case assignment—constitutes one of the steps in the change, which has not been described in these terms by studies that already analyze que in BP chopping relatives as a complementizer, such as Tarallo (1983) and Kenedy (2023 [2003]). |
| Unidade Acadêmica: | Instituto de Letras (IL) Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (IL LIP) |
| Informações adicionais: | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Letras, Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Programa de Pós-Graduação em Linguística, 2025. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Linguística |
| Licença: | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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