| Campo DC | Valor | Idioma |
| dc.contributor.advisor | Vargas, Beatriz Ramos | - |
| dc.contributor.advisor | Nascimento, Wanderson Flor do | - |
| dc.contributor.author | Góes, Luciano | - |
| dc.date.accessioned | 2026-07-13T16:55:23Z | - |
| dc.date.available | 2026-07-13T16:55:23Z | - |
| dc.date.issued | 2026-07-13 | - |
| dc.date.submitted | 2023-09-29 | - |
| dc.identifier.citation | GÓES, Luciano. Abolicionismo penal quilombista : saberes (des)ordeiros nas encruzilhadas da criminologia afrobrasileira. 2023. 388 f., il. Tese (Doutorado em Direito) - Universidade de Brasília, Brasília, 2023. | pt_BR |
| dc.identifier.uri | http://repositorio.unb.br/handle/10482/55363 | - |
| dc.description | Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Faculdade de Direito, Programa de Pós-Graduação em Direito, 2023. | pt_BR |
| dc.description.abstract | Enquanto o abolicionismo penal é considerado “utopia”, práticas punitivistas seguem
encarcerando, de diversas formas e em massa, corpos negros iguais ao meu, sob o título de
(uma) “justiça” que, dada a sua função de legítima defesa da branquitude, é incapaz de
solucionar os problemas que esta criou e que garantem sua supremacia, fundada no
colonialismo jurídico. Imprescindível para o sistema de injustiça racial, a prisão, mesmo em
seu (re)conhecido “estado de coisas inconstitucionais”, afiança a segurança pública que
naturaliza a morte negra, sendo a expressão da natureza colonial imodificável de uma
sociedade gestada como território desumanizador e segregacionista. Como instituição
projetada para prender o “mal” (sobretudo quem é rotulado como tal) em seu devido lugar
(onde toda punição é permitida e requerida), a (i)lógica prisional reverbera a ideologia cristã
que faz do cárcere a tradução concreta do inferno (branco) cuja subsistência decorre de
dogmas demonizantes. O racismo religioso é, portanto, a base do princípio do bem e do mal
que (retro)alimenta o Direito penal e a relação entre direitos e deveres do Contrato Social que
ordena o “Estado moderno” e seus discursos humanitários. Empurrando para o meio da roda
antirracista a branquitude e todos os seus pactos monocromáticos, essa tese, confluindo a
(des)ordem insurgente aos brados ancestrais por liberdade, comprova que utopia é continuar
acreditando que a prisão e o Direito penal poderão, algum dia, cumprir a promessa de “fazer
justiça” (principalmente em termos raciais) e nos salvar da branquitude. É a prisão como
“pena justa” que assegura a legalidade das múltiplas manifestações do genocídio estrutural,
inerente ao Contrato Racial composto por vários contratos antinegros, sendo a necropolítica a
cláusula penal executada cotidianamente. É desmascarando a sanha punitivista, que assegura a
eficácia do sistema de controle racial brasileiro, com a despolitização racial da segunda maior
população negra do mundo, que a encruzilhada formada pela Criminologia afro-brasileira e
pelo Abolicionismo Penal Quilombista, verso e reverso do mesmo projeto (des)ordeiro
orientado por Exu, abre caminhos responsabilizantes a partir da complementariedade entre
“bem” e “mal”, libertando as humanidades desumanizadas das prisões (in)formais brancas.
Nesse sentido, a exunêutica, práxis enlaçadas na escrevivência transgressora, aponta para a
abolição dos cárceres pela marginalidade, talhando estratégias de (sobre)vivência ao seguir os
(descom)passos gingados e as mandingas (anti)jurídicas de Zé Pelintra, que reconceitua a
periculosidade negra. Corporizando a tática quilombista e transitando entre mundos, rodas,
(contra)teorias e práticas que confessam a “falência” da prisão, o projeto negro abolicionista
invade e ocupa os “círculos restaurativos” para substituí-los pela circularidade de uma Justiça
Restaurativa Afrodiaspórica, sem se perder em sentidos performáticos, para implodir a
arquitetônica racista fundacional de nossa sociedade e sua cultura colonial(izante). Nesse
movimento subversivo, resgato e (re)potencializo direitos que fundaram e sustenta(ra)m a
República Negra de Palmares, modelo único de um Estado Plurinacional Pluriversal
Democrático, estruturado no comunitarismo, na igualdade, na liberdade, na não-outrificação e
no bem-viver de toda a coletividade, princípios fundamentais do Contrato Quilombista,
constituinte do sistema de justiça afrodiaspórico que deve ser (re)constituído como projeto
político de futuro ancestral. | pt_BR |
| dc.description.sponsorship | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) | pt_BR |
| dc.language.iso | por | pt_BR |
| dc.rights | Acesso Aberto | pt_BR |
| dc.title | Abolicionismo penal quilombista : saberes (des)ordeiros nas encruzilhadas da criminologia afrobrasileira | pt_BR |
| dc.type | Tese | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Abolicionismo | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Criminologia | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Exu | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Exuêutica | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Zé Pelintra | pt_BR |
| dc.subject.keyword | Contrato quilombista | pt_BR |
| dc.description.abstract1 | While penal abolitionism is considered “utopia”, punitive practices continue to imprison, in
several ways and in large scale (mass incarceration), black bodies like mine, under the title of
(a) “justice” that, given its function of legitimate the defense of whiteness, it is incapable of
solving the problems it has created and which guarantee its supremacy, based on legal
colonialism. Indispensable for the system of racial injustice, prison, even in its known
“unconstitutional state of affairs”, guarantees public security that naturalizes black death,
being the expression of the unmodifiable colonial nature of a society conceived as a
dehumanizing and segregationist territory. As an institution designed to arrest “evil”
(especially those labeled as such) in their proper place (where all punishment is allowed and
required), prison (i)logic reverberates the Christian ideology that makes prison the concrete
translation of (white) hell whose subsistence stems from demonizing dogmas. Religious
racism is, therefore, the basis of the principle of good and evil that (retro)feeds criminal law
and the relationship between rights and duties of the Social Contract that orders the “modern
State” and its humanitarian discourses. Pushing whiteness and all its monochromatic pacts
into the middle of the anti-racist circle, this thesis, converging the insurgent (dis)order with
the ancestral cries for freedom, proves that utopia is to continue believing that prison and
criminal law can, someday, fulfill the promise to “do justice” (especially in racial terms) and
save us from whiteness. It is prison as a “fair penalty” that ensures the legality of the multiple
manifestations of structural genocide, inherent to the Racial Contract composed of several
anti-black contracts, with necropolitics being the penal clause executed daily. It is by
unmasking the punitive rage, which ensures the effectiveness of the Brazilian racial control
system, with the racial depoliticization of the second largest black population in the world,
that the crossroads formed by Afro-Brazilian criminology and Quilombist penal abolitionism,
verse and reverse of the same project (dis)orderly guided by Exu, opens up paths of
responsability on the complementarity between “good” and “evil”, freeing the dehumanized
humanities from white (in)formal prisons. In this sense, the exuneutics, praxis linked in the
transgressive writing, points to the abolition of prisons by marginality, carving out strategies
of survival by following the steps and the (anti)juridical mandingas of Zé Pelintra, who
reconceptualizes the black danger. Embodying the Quilombist tactic and transiting between
worlds, circles, (counter)theories and practices that confess the “bankruptcy” of the prison,
the black abolitionist project invades and occupies “restorative circles” to replace them with
the circularity of an Afrodiasporic Restorative Justice, without getting lost in performative
senses, to implode the racist foundational architecture of our society and its colonial(izing)
culture. In this subversive movement, I rescue and (re)empower the rights that founded and
sustained the Black Republic of Palmares, a unique model of a Plurinational Pluriversal
Democratic State, structured on communitarianism, equality, freedom, non-otherification and
good-live for the whole community, fundamental principles of the Quilombist Contract,
constituent of the Afro-diasporic justice system that must be (re)constituted as a political
project of an ancestral future. | pt_BR |
| dc.description.abstract2 | Mientras el abolicionismo penal es considerado “utopía”, las prácticas punitivas continúan
aprisionando, de diversas formas y de forma modo masivo, cuerpos negros como el mío, bajo
el título de (a) “justicia” que, dada su función de legítima defensa de la blanquitud, es
incapaz de resolver los problemas que ha creado y que garantizan su supremacía, basada en
el colonialismo jurídico. Indispensable para el sistema de injusticia racial, la prisión, incluso
en su (re)conocido “estado de cosas inconstitucional”, garantiza una seguridad pública que
naturaliza la muerte negra, siendo expresión del carácter colonial inmodificable de una
sociedad concebida como un territorio deshumanizador y segregacionista. Como institución
diseñada para mantener el “mal” (especialmente aquellos etiquetados como tales) en su
lugar apropiado (donde todo castigo es permitido y requerido), la (i)lógica de la prisión
reverbera la ideología cristiana que hace de la prisión la traducción concreta del infierno
(blanco) cuya subsistencia surge de dogmas demonizantes. El racismo religioso es, así, la
base del principio del bien y del mal que (retro)alimenta el derecho penal y la relación entre
derechos y deberes del Contrato Social que ordena el “Estado moderno” y sus discursos
humanitarios. Empujando a la blancura y todos sus pactos monocromáticos hacia el centro
de la rueda antirracista, esta tesis, haciendo converger el (des)orden insurgente con los
gritos ancestrales de libertad, demuestra que utopía es seguir creyendo que la prisión y el
derecho penal pueden, algún día, cumplir la promesa de “hacer justicia” (especialmente en
términos raciales) y salvarnos de la blanquitud. Es la prisión como “pena justa” que asegura
la legalidad de las múltiples manifestaciones de genocidio estructural, inherente al Contrato
Racial compuesto por varios contratos anti-negros, siendo la necropolítica la cláusula penal
ejecutada diariamente. Es desenmascarando la furia punitivista, que asegura la eficacia del
sistema de control racial brasileño, con la despolitización racial de la segunda población
negra más grande del mundo, que el cruce formado por la criminología afrobrasileña y el
abolicionismo penal quilombista, anverso y reverso del mismo proyecto (des)ordenado
guiado por Exu, abre caminos de responsabilización basados en la complementariedad entre
el “bien” y el “mal”, liberando a las humanidades deshumanizadas de las prisiones
(in)formales blancas. En este sentido, la exunéutica, praxis ligada a la “escrevivência”
transgresora, apunta a la abolición de las cárceles por la marginalidad, labrando estrategias
de (super)vivencia siguiendo los pasos balanceados y los mandingas (anti)jurídicas de Zé
Pelintra, que reconceptualiza la peligrosidad negra. Encarnando las tácticas quilombistas y
transitando entre mundos, ruedas, (contra)teorías y prácticas que confiesan la “bancarrota”
de la prisión, el proyecto abolicionista negro invade y ocupa “círculos restaurativos” para
reemplazarlos con la circularidad de una Justicia Restaurativa afrodiaspórica, sin perdernos
en sentidos performativos, para implosionar la arquitectura racista fundacional de nuestra
sociedad y su cultura colonial(izante). En este movimiento subversivo, rescato y
(re)potencializo los derechos que fundaron y sustentaron la República Negra de Palmares,
modelo único de Estado Democrático Plurinacional Pluriversal, estructurado sobre el
comunitarismo, la igualdad, la libertad, la no otreificación y el buen vivir de toda la
comunidad, principios fundamentales del Contrato Quilombista, constitutivo del sistema de
justicia afrodiaspórico que debe (re)constituirse como un proyecto político de un futuro
ancestral. | pt_BR |
| dc.description.unidade | Faculdade de Direito (FD) | pt_BR |
| dc.description.ppg | Programa de Pós-Graduação em Direito | pt_BR |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado
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