http://repositorio.unb.br/handle/10482/55240| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| OnisleneAlvesEvangelistaDeAlmeida_TESE.pdf | 7,84 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Telenfermagem no autocuidado de pessoas em hemodiálise : estudo multimétodos |
| Autor(es): | Almeida, Onislene Alves Evangelista de |
| Orientador(es): | Santos, Walterlânia Silva |
| Assunto: | Insuficiência renal crônica Hemodiálise Autocuidado Autoeficácia Letramento em saúde Adesão ao tratamento Consultas online Telemedicina |
| Data de publicação: | 3-Jul-2026 |
| Data de defesa: | 10-Dez-2025 |
| Referência: | ALMEIDA, Onislene Alves Evangelista de. Telenfermagem no autocuidado de pessoas em hemodiálise : estudo multimétodos. 2025. 226 f., il. Tese (Doutorado em Enfermagem) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | INTRODUÇÃO As condições crônicas de saúde, em especial a Doença Renal Crônica (DRC) em estágio terminal, impõem ao indivíduo uma rotina terapêutica de alta complexidade. O tratamento hemodialítico não se restringe apenas às horas de permanência na unidade de saúde, mas exige a integração de múltiplas práticas de autocuidado no cotidiano domiciliar. Esse cenário constitui um desafio persistente para profissionais de saúde e pacientes, uma vez que a adesão ao tratamento depende de variáveis subjetivas e cognitivas. Nesse contexto, as tecnologias de informação e comunicação, quando integradas à prática da enfermagem — especificamente por meio da telenfermagem via contato telefônico —, configuram-se como estratégias potenciais e inovadoras para a educação em saúde. Tal modalidade permite o suporte contínuo, a monitorização à distância e o reforço de orientações fundamentais para a manutenção da estabilidade clínica do paciente. OBJETIVOS O presente estudo teve como objetivo primordial construir, validar e avaliar a factibilidade e a aceitabilidade de um protocolo de educação para o autocuidado, com foco na ampliação da autoeficácia e do letramento em saúde de pessoas submetidas ao tratamento de hemodiálise. Buscou-se verificar se uma intervenção estruturada de telemonitoramento seria capaz de mediar o conhecimento necessário para a gestão da própria saúde e a adesão rigorosa ao regime terapêutico proposto. MÉTODO Trata-se de um estudo multimétodos desenvolvido em três etapas sequenciais e interdependentes: construção, validação e implementação. Inicialmente, realizou-se uma revisão integrativa da literatura abrangendo publicações sobre estratégias de telessaúde voltadas para pessoas com DRC. A partir desse levantamento, elaborou-se o protocolo de educação em saúde, estruturado em cinco eixos temáticos essenciais: sessões de hemodiálise, controle de líquidos e peso seco, cuidados com o acesso vascular, orientações nutricionais e manejo medicamentoso. Na fase de validação, o instrumento foi submetido à avaliação de cinco juízes especialistas em duas rodadas. As dimensões de aparência, compreensão e relevância foram mensuradas por meio do Índice de Validade de Conteúdo (IVC). Para a etapa de implementação e avaliação de factibilidade, a amostra foi composta por 32 pacientes em hemodiálise em uma unidade do Distrito Federal, com idade superior a 18 anos, tempo de tratamento maior que três meses e capacidade cognitiva preservada. A coleta de dados incluiu o levantamento de variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais em prontuários físicos e eletrônicos, além da aplicação de escalas validadas para aferir autocuidado, letramento em saúde e autoeficácia. A adesão ao tratamento foi monitorada objetivamente através do ganho de peso intradialítico, níveis séricos de potássio e fósforo, e assiduidade às sessões. A intervenção de telenfermagem ocorreu via contatos telefônicos, sendo considerada efetiva quando ao menos 60% dos itens do protocolo eram abordados. O processo foi registrado em diário de campo para análise qualitativa de facilitadores e dificultadores. O projeto foi devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (Parecer n. 6.413.288). RESULTADOS A revisão integrativa analisou 48 artigos (2000-2021), identificando seis categorias predominantes de estratégias de telessaúde: monitoramento remoto, teleconsulta, plataformas digitais, aplicativos móveis, estratégias multimodais e contato telefônico. No processo de validação, o protocolo construído alcançou um IVC global de 0,85. Especificamente, os itens de aparência e compreensão obtiveram IVC de 0,75, enquanto a relevância dos telecontatos superou 0,9, atingindo uma média de 0,95, o que atesta a alta aplicabilidade do conteúdo. A caracterização da amostra revelou uma população com idade média de 32 anos (±12,8), majoritariamente masculina (53,1%), sem companheiro (65,6%), de baixa renda e com tempo médio de hemodiálise de 33,5 meses. Os resultados demonstraram que a adesão ao tratamento estava dividida em 50% para grupos aderentes e não aderentes. Observou-se que pacientes com níveis adequados de autocuidado (média 108,7) e autoeficácia (média 37,58) apresentavam melhores indicadores de saúde. O letramento em saúde mostrouse um diferencial crítico, com escores significativamente superiores no grupo com melhor gestão da saúde (56,81 vs. 43,38). A análise estatística confirmou uma correlação positiva e estatisticamente significativa (p < 0,005) entre os níveis de letramento em saúde, autocuidado e adesão ao tratamento. Quanto à implementação, o estudo identificou desafios estruturais, como instabilidade do sinal de telefonia e alta taxa de não atendimento, resultando em uma taxa de efetividade de ligações de 17%. Todavia, para os participantes que mantiveram o engajamento, a proposta de telenfermagem demonstrou ser viável e executável, embora dependente das habilidades comunicacionais do enfermeiro e da infraestrutura tecnológica da rede. CONCLUSÃO O protocolo validado apresenta-se como uma ferramenta robusta para a prática da telenfermagem em nefrologia. Os achados reforçam que o letramento em saúde é um preditor fundamental para o sucesso do autocuidado. Apesar dos desafios logísticos de comunicação, a intervenção telefônica mostra-se uma via promissora para fortalecer a autonomia do paciente e otimizar os desfechos clínicos no tratamento hemodialítico. |
| Abstract: | INTRODUCTION: Chronic and complex conditions, such as chronic kidney disease and hemodialysis treatment, require understanding and integrating multiple self-care practices, posing a challenge for healthcare professionals and affected individuals. In this sense, information technologies integrated with tele-nursing via telephone contact are a potential strategy for health education. OBJECTIVES: To construct, validate, and evaluate the feasibility and acceptability of an education protocol for self-care, self-efficacy, and health literacy in people on hemodialysis. METHOD: A multi-method study developed in five sequential phases: construction, validation, and implementation of the telenursing protocol for self-care in people on hemodialysis. An integrative review of the literature on telehealth strategies for people with chronic kidney disease was conducted. From this review, a health education protocol for people on hemodialysis was developed, addressing the following topics: hemodialysis sessions, fluid and dry weight control, vascular access, nutrition, and medication. It was submitted for validation in terms of appearance, comprehension, and relevance in two rounds, the second by five expert judges whose responses were evaluated by the Content Validity Index. To implement the protocol, the sample of participants consisted of 32 people undergoing hemodialysis, aged 18 years or older, with more than three months of hemodialysis and preserved self-reported cognition. Sociodemographic, clinical, and laboratory data were recorded in physical and electronic medical records, supplemented during data collection with the application of instruments. In addition to these, the level of adherence to treatment was verified by intradialytic weight gain, serum potassium and phosphorus levels, and attendance at hemodialysis sessions and the assessment scale on the adherence of chronic kidney disease patients on hemodialysis. Furthermore, the scores of the self-care, health literacy, and selfefficacy scales were analyzed. The tele-nursing protocol for self-care was applied via telephone contacts at different times for each telecare, which was considered applied if 60% of its items had been addressed during the interaction. All contact attempts and perceptions about facilitators and barriers to the process were recorded in a field diary and analyzed. This research proposal was approved by the Human Research Ethics Committee of the Faculty of Medicine of the University of Brasília and approved under opinion no. 6,413,288. RESULTS: Fortyeight articles published between 2000 and 2021 were included, in which the home environment and people undergoing conservative treatment were the most prevalent, while the qualitative analysis identified six categories of telehealth strategies: remote monitoring devices, teleconsultation, digital platform, applications, multimodal strategies, and telephone contact. Regarding the constructed tele-nursing protocol, content validation achieved an overall Content Validity Index of 0.85 and a Validity Index related to appearance and comprehension of 0.75. The five telecontacts of the instrument presented a Content Validity Index, referring to relevance, greater than 0.9, resulting in an average of 0.95. The target population of this study— people on hemodialysis—had a mean age of 32 (±12.8) years, with a higher prevalence of males (53.1%), no partner (65.6%), low income, and 33.5 (±23.9) months on hemodialysis. Adherence to treatment was equivalent between the adherent and non-adherent groups, with a rate of 50% in both, with a treatment adherence score of 921.9 (±5.8) in adherents and 885.9 (±37.1) in the non-adherent group. The mean self-care score was 108.7 (±5.8) in those with adequate self-care and 92 (±17.3) in the inadequate self-care group. Regarding self-efficacy, those with an adequate level had a score of 37.58 (±1.9) and those with an inadequate level had a score of 30.38 (±3.4). Regarding health literacy, participants in the inadequate group had scores of 43.38 (±6.0) and those in the adequate group had scores of 56.81 (±3.9). The correlation between levels of adherence to treatment and self-care with health literacy was statistically significant (p < 0.005). Regarding the implementation of the protocol, the challenges encountered were related to telephone signal and missed calls, resulting in loss of follow-up. The effectiveness rate of the calls was 17%; even so, for the engaged participants, the proposal proved to be feasible and executable with restrictions regarding the profile of the public, communication skills of the professional performing the task, and quality of the telephone network. FINAL CONSIDERATIONS: The telenursing protocol developed proved to be feasible and can serve as a structured guide for health professionals in educating people on hemodialysis about selfcare. Its implementation, however, may be conditioned by factors such as the availability of communication infrastructure and, predominantly, the participant's level of health literacy. |
| Resumen: | INTRODUCCIÓN: Las afecciones crónicas y complejas, como la enfermedad renal crónica y el tratamiento hemodialítico, requieren comprender e integrar múltiples prácticas de autocuidado, lo que supone un reto para los profesionales sanitarios y las personas afectadas. En este sentido, las tecnologías de la información integradas a la teleenfermería a través del contacto telefónico se configuran como una estrategia potencial de educación en salud. OBJETIVOS: Construir, validar y evaluar la viabilidad y aceptabilidad de un protocolo de educación para el autocuidado, la autoeficacia y la alfabetización en salud de personas en hemodiálisis. MÉTODO: Estudio multimétodo desarrollado en cinco fases secuenciales: construcción, validación e implementación del protocolo de teleenfermería para el autocuidado de personas en hemodiálisis. Se realizó una revisión integradora de la literatura sobre estrategias de telesalud para personas con enfermedad renal crónica. A partir de esta revisión, se elaboró un protocolo de educación sanitaria para personas en hemodiálisis que abordaba los siguientes temas: sesiones de hemodiálisis, control de líquidos y peso seco, acceso vascular, nutrición y medicación. Se sometió a validación en las dimensiones de apariencia, comprensión y relevancia en dos rondas, la segunda por cinco jueces expertos cuyas respuestas se evaluaron mediante el Índice de Validez de Contenido. Para la implementación del protocolo, la muestra de participantes estuvo compuesta por 32 personas en hemodiálisis, mayores de 18 años, con más de tres meses de hemodiálisis y con cognición autorreferida preservada. Se registraron datos sociodemográficos, clínicos y de laboratorio verificados en historias clínicas físicas y electrónicas, complementados durante la recopilación de datos con la aplicación de los instrumentos. Además de estos, se verificó el nivel de adherencia al tratamiento mediante el aumento de peso intradialítico, los niveles séricos de potasio y fósforo, la asistencia a las sesiones de hemodiálisis y la escala de evaluación de la adherencia de los pacientes con enfermedad renal crónica en hemodiálisis. También se analizaron las puntuaciones de las escalas de autocuidado, alfabetización en salud y autoeficacia. El protocolo de teleatención para el autocuidado se aplicó mediante contactos telefónicos en momentos distintos para cada telecuidado, que se consideró aplicado si se habían abordado el 60 % de sus elementos durante la interacción. Todos los intentos de contacto, las percepciones sobre los facilitadores y los obstáculos del proceso se registraron en un diario de campo y se analizaron. Esta propuesta de investigación fue aprobada por el Comité de Ética en Investigación con Seres Humanos de la Facultad de Medicina de la Universidad de Brasilia y aprobada con el dictamen n.º 6.413.288. RESULTADOS: Se incluyeron 48 artículos publicados entre los años 2000 y 2021, en los que el entorno doméstico y las personas en tratamiento conservador fueron los más prevalentes, mientras que a partir del análisis cualitativo se identificaron seis categorías de estrategias de telesalud: dispositivos de monitorización remota, teleconsulta, plataforma digital, aplicaciones, estrategias multimodales y contacto telefónico. En cuanto al protocolo de teleenfermería elaborado, la validación del contenido alcanzó un índice de validez global del contenido de 0,85 y un índice de validez relativo a la apariencia y la comprensión de 0,75. Los cinco telecontatos del instrumento presentaron un índice de validez de contenido, en referencia a la relevancia, superior a 0,9, lo que dio como resultado una media de 0,95. La población objetivo de este estudio (personas en hemodiálisis) tenía una edad media de 32 (±12,8) años, con una prevalencia superior del sexo masculino (53,1 %), sin pareja (65,6 %), bajos ingresos y 33,5 (±23,9) meses en hemodiálisis. La adherencia al tratamiento fue equivalente entre los grupos adherentes y no adherentes, con una tasa del 50 % en ambos, siendo la puntuación de adherencia al tratamiento de 921,9 (±5,8) en los adherentes y de 885,9 (±37,1) en el grupo de no adherentes. La media de autocuidado fue de 108,7 (±5,8) en aquellos con un nivel de autocuidado adecuado y de 92 (±17,3) en el grupo de autocuidado inadecuado. En cuanto a la autoeficacia, aquellos con un nivel adecuado obtuvieron una puntuación de 37,58 (±1,9) y los inadecuados, de 30,38 (±3,4). En cuanto a la alfabetización en salud, los participantes del grupo inadecuado obtuvieron puntuaciones de 43,38 (±6,0) y los del grupo adecuado, puntuaciones de 56,81 (±3,9). La correlación entre los niveles de adherencia al tratamiento y autocuidado con la alfabetización en salud resultó ser estadísticamente significativa (p < 0,005). En cuanto a la implementación del protocolo, los retos encontrados más destacados fueron los relacionados con la señal de telefonía y la falta de respuesta a las llamadas, con la consiguiente pérdida de seguimiento. La tasa de efectividad de las llamadas fue del 17 %, pero, aun así, para los participantes comprometidos, la propuesta resultó viable y ejecutable, con restricciones en cuanto al perfil del público, las habilidades comunicativas del profesional ejecutor y la calidad de la red telefónica. CONSIDERACIONES FINALES: el protocolo de teleenfermería desarrollado demostró ser viable y puede servir de guía estructurada para los profesionales de la salud en la educación para el autocuidado de las personas en hemodiálisis. Su implementación, sin embargo, puede verse condicionada por factores como la disponibilidad de infraestructura de comunicación y, de manera preponderante, el nivel de alfabetización en salud del participante. |
| Unidade Acadêmica: | Faculdade de Ciências da Saúde (FS) Departamento de Enfermagem (FS ENF) |
| Informações adicionais: | Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, 2025. |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Enfermagem |
| Agência financiadora: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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