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Título: "Desnaturadas" : maternidade e controle reprodutivo de mulheres pobres na Bahia (1890-1945)
Autor(es): Almeida, Miléia Santos
Orientador(es): Barroso, Eloisa Pereira
Assunto: Maternidade
Sertões
Bahia
Sanitarismo
Data de publicação: 23-Jul-2026
Referência: ALMEIDA, Miléia Santos. "Desnaturadas" : maternidade e controle reprodutivo de mulheres pobres na Bahia (1890-1945). 2026. 340 f., il. Tese (Doutorado em História) — Universidade de Brasília, Brasília, 2026.
Resumo: Entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, os sertões baianos foram cenário da ampliação da intervenção sanitarista que possuía um caráter bastante moralista e moralizador em relação aos papeis femininos, sobretudo, no que dizia respeito à maternidade, considerada um pilar da construção de uma nova nação republicana. Esse projeto contrastava com os horizontes de expectativas das mulheres sertanejas de camadas mais pobres. Ser mãe naquela sociedade podia oscilar entre a luta pela sobrevivência de um filho ou a rejeição da maternidade em sua forma mais extrema, e nesse caminho se revelam práticas costumeiras, subjetividades, arranjos de sobrevivência, solidariedades, saberes, relações de poder. Nesse sentido, tomamos como ponto de partida os processos criminais de infanticídio e aborto enquanto fontes que apresentam encruzilhadas de narrativas das experiências concretas dessas mulheres, filtradas pela pena do escrivão, em grande parte do estado da Bahia. Por sua vez, o percurso de medicalização dos corpos e das práticas reprodutivas que surgem nos laudos periciais dessa documentação foram orientados por discursos médico-legais e higienistas que se originaram nas faculdades de medicina nas capitais e, se interiorizaram por meio do trânsito desses diplomados para a região aqui chamada de “sertões de cima”. Foi necessário assim, o diálogo entre essas fontes oficiais e institucionais, assim como a documentação presente em acervos pessoais e de entidades filantrópicas, com os processos localizados em distintos acervos baianos. As ações colonialistas empreendidas por muitos desses homens da medicina foram atravessadas pela estigmatização dos sertanejos e sertanejas como sujeitos ignorantes, doentes e anti-higiênicos, assim como pela promoção de dispositivos de vigilância sobre práticas ancestrais de cura e parturição. Seus discursos hegemônicos, ancorados em uma realidade de desigualdade socioeconômica e permanência de uma moral cristã, eram propagados pelas elites políticas e intelectuais por meio da imprensa e da filantropia. A atuação das mulheres que receberam o rótulo de “desnaturadas”, ao não se enquadrarem nos parâmetros de maternidade higiênica propagado no período, foi aqui analisada a partir das intersecções de gênero, raça, classe e territorialidade que perfazem esses fragmentos excepcionais de suas
Resumen: Entre finales del siglo XIX y la primera mitad del XX, el sertón bahiano fue escenario de la expansión de intervenciones sanitarias de carácter altamente moralista y moralizador respecto al rol de la mujer, especialmente en lo referente a la maternidad, considerada un pilar en la construcción de una nueva nación republicana. Este proyecto contrastaba con las expectativas de las mujeres de los estratos más pobres del sertón. Ser madre en esa sociedad podía oscilar entre la lucha por la supervivencia de un hijo o el rechazo de la maternidad en su forma más extrema, y a lo largo de este camino se revelan prácticas consuetudinarias, subjetividades, mecanismos de supervivencia, solidaridades, conocimientos y relaciones de poder. En este sentido, tomamos como punto de partida los procesos penales por infanticidio y aborto como fuentes que presentan una encrucijada de narrativas de las experiencias concretas de estas mujeres, filtradas por la pluma del funcionario, en gran parte del estado de Bahía. A su vez, la medicalización de los cuerpos y las prácticas reproductivas que emerge en los informes periciales de esta documentación estuvo guiada por discursos médico-legales e higienistas originados en las facultades de medicina de las capitales y difundidos a través del movimiento de estos graduados hacia la región denominada "sertanejo". Por lo tanto, era necesario un diálogo entre estas fuentes oficiales e institucionales, así como la documentación presente en colecciones personales y de entidades filantrópicas, y los procesos localizados en diferentes archivos de Bahía. Las acciones colonialistas emprendidas por muchos de estos profesionales médicos estuvieron marcadas por la estigmatización de los habitantes del sertanejo como sujetos ignorantes, enfermos y antihigiénicos, así como por la promoción de mecanismos de vigilancia sobre las prácticas ancestrales de sanación y parto. Sus discursos hegemónicos, anclados en una realidad de desigualdad socioeconómica y la persistencia de la moral cristiana, fueron propagados por las élites políticas e intelectuales a través de la prensa y la filantropía. Se analizan aquí las acciones de las mujeres que fueron etiquetadas como “antinaturales” por no ajustarse a los estándares de maternidad higiénica promovidos durante ese período desde las intersecciones de género, raza, clase y territorialidad que conforman estos fragmentos excepcionales de sus vidas.
Unidade Acadêmica: Instituto de Ciências Humanas (ICH)
Departamento de História (ICH HIS)
Informações adicionais: Tese (doutorado) — Universidade de Brasília, Instituto de Ciências Humanas, Departamento de História, Programa de Pós-Graduação em História, 2026.
Programa de pós-graduação: Programa de Pós-Graduação em História
Aparece nas coleções:Teses, dissertações e produtos pós-doutorado

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