http://repositorio.unb.br/handle/10482/53680| Arquivo | Tamanho | Formato | |
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| BarbarahAnselmoGoncalves_DISSERT.pdf | 1,84 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
| Título: | Estigma, percepção de doença e relacionamentos afetivo-sexuais em pessoas vivendo com HIV |
| Autor(es): | Gonçalves, Barbarah Anselmo |
| Orientador(es): | Seidl, Eliane Maria Fleury |
| Assunto: | Pessoas vivendo com HIV HIV (Vírus) Relacionamentos amorosos Estigma Percepção da doença |
| Data de publicação: | 9-jan-2026 |
| Data de defesa: | 27-fev-2025 |
| Referência: | GONÇALVES, Barbarah Anselmo. Estigma, percepção de doença e relacionamentos afetivo-sexuais em pessoas vivendo com HIV. 2025. 130 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Clínica e Cultura) — Universidade de Brasília, Brasília, 2025. |
| Resumo: | Desde seu início, em 1980, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) infectou cerca de 88,4 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a maioria (64,1%) das pessoas que vivem com HIV (PVHIV) já experienciou pelo menos uma situação de estigma ou discriminação, exclusivamente pelo fato de terem a sorologia positiva para o HIV. O objetivo desta dissertação, composta de dois artigos, foi investigar a vivência dos relacionamentos afetivo-sexuais de PVHIV, bem como a percepção de doença e do estigma relacionado ao HIV de pessoas adultas em tratamento no Distrito Federal. O primeiro artigo analisou características dos relacionamentos afetivo-sexuais de pessoas vivendo com HIV, a partir de uma revisão integrativa de literatura, com estudos empíricos publicados de 2013 a 2023, mediante estratégias de busca feitas nas bases de dados SciELO Brasil, Medline/Pubmed e Scopus. Nove estudos foram analisados, cujos conteúdos abordavam as temáticas: desafios da sexualidade nos relacionamentos; revelação do diagnóstico; sorosemelhança e sorodiferença; mulheres que vivem com HIV; e estigma. O segundo artigo, de corte transversal com delineamento misto, utilizou técnicas qualitativas e quantitativas de coleta e de análise de dados. Participaram 50 PVHIV, a maioria do sexo masculino (78%), com idades de 21 a 64 anos (M = 39,50; DP = 12,14), de cor parda (50%), com nível superior completo (24%), de orientação homossexual (52%) e com carga viral indetectável (90%). Os instrumentos utilizados foram: questionários sociodemográfico e médico-clínico, escalas com evidências de validade para a língua portuguesa sobre percepção de doença e estigma, e um roteiro de entrevista semiestruturado. Os resultados descritivos indicaram que os participantes percebiam o HIV de forma não ameaçadora (M = 19,42; DP = 12,03), mas houve diversidade na amostra; foi maior a percepção de estigma relacionado à soropositividade (M = 30,72; DP = 5,38), com correlação positiva moderada entre essas duas variáveis ( = 0,47; p ≤ 0,01, 22,1% de variância compartilhada). Medianas dos escores de percepção de doença e de estigma foram comparadas em relação a subgrupos de variáveis sociodemográficas e clínicas, pelo teste Mann-Whitney. Análises indicaram que a renda familiar diferenciou os dois grupos, com resultado significativo (U =141,000; p = 000,2): pessoas com renda de até três salários-mínimos obtiveram valores da mediana mais altos, revelando percepção mais ameaçadora da soropositividade, se comparadas aos participantes com renda mais elevada. Não houve diferença estatística significativa acerca de percepção de doença em relação às demais variáveis analisadas, nem quanto a estigma. Na análise qualitativa, com uso do software IRAMUTEQ, o corpus foi constituído de 1.050 segmentos de texto, com 956 segmentos classificados (91%), gerando cinco classes, que receberam as seguintes denominações na Classificação Hierárquica Descendente: (1) revelação do diagnóstico; (2) dificuldades de relacionamento no viver com HIV; (3) vantagens e desafios da prevenção; (4) mudanças nos relacionamentos após o diagnóstico; (5) vida antes do diagnóstico de HIV. A análise de conteúdo dos relatos contidos nas cinco classes permitiu a identificação de temas associados que foram ilustrados com trechos de falas representativas. Os resultados dos dois trabalhos da dissertação permitem concluir que o HIV repercute na vivência de relacionamentos afetivo-sexuais de PVHIV, tanto no que se refere à conjugalidade, quanto em relacionamentos não estáveis. A sexualidade é uma das dimensões da vida mais afetadas pela condição, principalmente porque a via sexual é a categoria de transmissão prevalente do vírus. As PVHIV apontam desejo de viver relacionamentos ou relações apesar do diagnóstico, mas sua revelação é vivenciada com tensão e preocupação. Há priorização de estratégias preventivas para garantir maior segurança nos relacionamentos, além de uma ressignificação do sentido da vida, investindo em outras áreas, como o autocuidado. Ademais, percebe-se a compreensão do HIV como uma condição crônica e não uma doença letal. |
| Abstract: | Since its inception in 1980, the Human Immunodeficiency Virus (HIV) has infected approximately 88.4 million people worldwide. In Brazil, the majority (64.1%) of people living with HIV (PLHIV) have experienced at least one situation of stigma or discrimination, exclusively due to their positive HIV status. The objective of this dissertation, composed of two articles, was to investigate the experience of affectivesexual relationships of PLHIV, as well as the illness perception and stigma related to HIV among adults undergoing treatment in the Federal District. The first article analyzed characteristics of the affective-sexual relationships of people living with HIV, based on an integrative literature review, with empirical studies published from 2013 to 2023, with search strategies carried out in the SciELO Brasil, Medline/Pubmed and Scopus databases. Nine studies were analyzed, whose contents addressed the following themes: challenges of sexuality in relationships; disclosure of diagnosis; serosimilarity and serodifference; women living with HIV; and stigma. The second article, a crosssectional study with a mixed design, used qualitative and quantitative data collection and analysis techniques. Fifty PLHIV participated, the majority of whom were male (78%), aged 21 to 64 years (M = 39.50; SD= 12.14), of mixed race (50%), with a higher education degree (24%), homosexual orientation (52%) and with an undetectable viral load (90%). The instruments used were: sociodemographic and medical-clinical questionnaires, scales with evidence of validity for the portuguese language and a semistructured interview script. Descriptive results indicated that participants perceived HIV as non-threatening (M = 19.42; SD = 12.03), but there was diversity in the sample; the perception of stigma related to seropositivity was greater (M = 30.72; SD = 5.38), with a moderate positive correlation between the two variables ( = 0.47; p ≤ 0.01, 22.1% shared variance). Medians of illness perception and stigma scores were compared in relation to subgroups of sociodemographic and clinical variables, using the MannWhitney test. Analyses indicated that family income differentiated the two groups, with a significant result (U = 141.000; p = 000.2): people with an income of up to three minimum wages obtained higher median values, revealing a more threatening perception of seropositivity, when compared to participants with higher family income. There was no statistically significant difference regarding the illness perception in relation to the other variables analyzed, nor regarding stigma. In the qualitative analysis, using the IRAMUTEQ software, the corpus consisted of 1,050 text segments, with 956 classified segments (91%), generating five classes, which received the following names in the Descending Hierarchical Classification: (1) disclosure of the diagnosis; (2) relationship difficulties in living with HIV; (3) advantages and challenges of prevention; (4) changes in relationships after diagnosis; (5) life before HIV diagnosis. The content analysis of the reports contained in the five classes allowed the identification of associated themes that were illustrated with excerpts of representative speeches. The results of the two dissertation works allow us to conclude that HIV has an impact on the experience of affective-sexual relationships of PLHIV, both in relation to conjugality and in unstable relationships. Sexuality is one of the dimensions of life most affected by the condition, mainly because the sexual route is the most prevalent category of transmission of the virus. PLHIV reports a desire to have relationships despite their diagnosis, but their revelation is experienced with tension and concern. Preventive strategies are prioritized to ensure greater safety in relationships, in addition to a redefinition of the meaning of life, investing in other areas, such as self-care. Furthermore, HIV is understood as a chronic condition and not a lethal disease. |
| Unidade Acadêmica: | Instituto de Psicologia (IP) Departamento de Psicologia Clínica (IP PCL) |
| Programa de pós-graduação: | Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura |
| Licença: | A concessão da licença deste item refere-se ao termo de autorização impresso assinado pelo autor com as seguintes condições: Na qualidade de titular dos direitos de autor da publicação, autorizo a Universidade de Brasília e o IBICT a disponibilizar por meio dos sites www.unb.br, www.ibict.br, www.ndltd.org sem ressarcimento dos direitos autorais, de acordo com a Lei nº 9610/98, o texto integral da obra supracitada, conforme permissões assinaladas, para fins de leitura, impressão e/ou download, a título de divulgação da produção científica brasileira, a partir desta data. |
| Aparece nas coleções: | Teses, dissertações e produtos pós-doutorado |
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